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11/01/2010 - 18h28

OIT vê emprego no Brasil como um dos menos afetados na A.Latina

EFE
Lima, 11 jan (EFE).- O Brasil foi um dos países menos afetados na América Latina pela crise financeira internacional em relação a índice de desemprego, que segundo um relatório divulgado hoje pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) passou de 7,5% para 8,4% em um ano na região.

De acordo com o estudo divulgado pela OIT em Lima, a crise econômica custou 2,2 milhões de postos de trabalho no ano passado na América Latina e no Caribe.

O organismo indicou que a taxa de desemprego aumentou em 2009 em 12 dos 14 países estudados. Só se salvaram Peru e Uruguai, onde houve uma leve diminuição, de 8,6% e 7,9% em 2008 para 8,5% e 7,5% em 2009, respectivamente.

Os menores aumentos foram em Brasil (de 8,1% em 2008 para 8,4% em 2009), Trinidad e Tobago (de 5,0% para 5,1%) e Venezuela (de 7,7% para 8,0%).

A OIT prevê que a porcentagem para a América Latina, que reflete os 18,1 milhões de desempregados atuais, possa cair levemente em 2010, para 8,2%.

Os maiores aumentos foram observados em Barbados, onde o desemprego subiu de 8,3% em 2008 a 10% em 2009, Costa Rica (de 4,9% a 7,8%), Chile (de 7,9 a 10%), Equador (6,85 a 8,7%) e México (de 3,9% a 5,5%).

Na Colômbia, a taxa de desemprego aumentou entre 2008 e 2009 de 11,5% para 12,3%, enquanto neste mesmo período passou na Argentina de 8,1% a 8,8% e no Panamá de 5,6 a 6,6%. O documento não apresenta dados sobre a Bolívia.

A crise financeira internacional não atingiu a América Latina e o Caribe como se esperava, mas a taxa de desemprego deste ano representou um retrocesso na região, onde o índice tinha recuado dos 11,4% de 2002 para 7,5% em 2008.

O diretor regional da OIT, Jean Maninat, disse que aumentou na região o emprego informal (sem proteção social, nem direitos trabalhistas), uma forma de trabalho "que continua sendo um refúgio frente ao desemprego".

"De cada dez empregos criados (em 2009), seis foram no setor informal", explicou Maninat ao insistir que o mercado de trabalho da região "se caracteriza pela alta informalidade".

Maninat ressaltou que "antes da crise já havia outra crise, de pobreza, informalidade e subemprego, desenvolvimento insustentável e déficit de trabalho decente".

Por isso, recomendou que os Estados da região coloquem o emprego "como centro das políticas econômicas" e fomentem o diálogo social e a criação de empresas sustentáveis.

Por sua vez, o diretor do Sistema de Informação Laboral para a América Latina e Caribe (Sialc), Miguel Del Cid, disse hoje que se observou em muitos países um "enfraquecimento da capacidade de suas economias de criar emprego assalariado".

Segundo ele, a taxa de ocupação caiu de 54,9% para 54,3% entre 2008 e 2009.

Del Cid indicou que o emprego informal total aumentou 2,1% em 2009 frente ao ano anterior, enquanto o emprego informal em empresas formais diminuiu 1,6% e o trabalho formal caiu 0,5%.

O relatório da OIT também indicou que em 2010 a região crescerá em média 4,1%, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), por isso se prevê que o desemprego cederá paulatinamente este ano e "poderá situar em torno de 8,2% da força de trabalho".

A redução de 0,2 ponto na taxa de desemprego de 2010 em relação a 2009 (de 8,4% a 8,2%) não é significativa dado que o número absoluto de desempregados se manterá perto dos 18 milhões, como diz o documento.

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