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14/01/2010 - 15h57

BCE mantém juros e diz que Governos não terão tratamento especial

EFE
Frankfurt (Alemanha), 14 jan (EFE).- O Banco Central Europeu (BCE) manteve hoje as taxas de juros e deixou claro, por meio de seu presidente, Jean-Claude Trichet, que apesar das dificuldades da Grécia e outros países da zona do euro não haverá nenhum tratamento especial.

"Nenhum Governo pode esperar do BCE um tratamento especial. Nós temos nossos princípios e os aplicaremos", declarou Trichet após a reunião realizada hoje em Frankfurt a conselho da autoridade monetária.

Quanto à pergunta sobre se a gravidade da situação na Grécia poderia resultar na saída desse país da zona do euro, o banqueiro francês respondeu: "Não comento hipóteses absurdas".

Acrescentou que, apesar da recuperação que algumas economias começam a apresentar, "há muito trabalho a fazer" e por isso o BCE insiste nas reformas, na redução do déficit, em políticas orçamentária e fiscal corretas.

Trichet afirmou que os problemas enfrentados pela Grécia e outros países da zona do euro com problemas, entre os quais só citou a Irlanda, indicam que esses países não fizeram ou fazem devidamente seu trabalho.

"O problema não é a ajuda do BCE. O problema é tomar as decisões corretas e aplicá-las. Fazer o trabalho", destacou Trichet.

Em resposta à pergunta sobre se a Espanha, entre os países de fila de recuperação fez e faz seu trabalho, respondeu: "não estou aqui para dar notas. Todos os países do euro têm deveres".

Em relação aos riscos de uma política monetária comum em uma área que evolui a duas velocidades, Trichet lembrou que desde a criação da zona do euro houve países em situações distintas.

"Para o BCE, o que conta é que administramos uma moeda comum para 330 milhões de pessoas em 16 países diferentes", destacou.

Interrogado sobre a Agenda 2020, respondeu que "o Tratado de Lisboa não se implementou da forma adequada. Temos que melhorar, não nos objetivos, mas na implementação", expressando também a importância deste semestre para a Presidência comunitária, assumida pela Espanha.

"Espero muito da Presidência espanhola, pois será um semestre importante. Percebo que o Governo espanhol está demonstrando muito empenho e dedicação", declarou Trichet.

Quanto à política de juros, o economista francês afirmou que a decisão de mantê-los inalterados em 1% foi adotada por "unanimidade", motivada pela opinião coletiva de que "esse nível é o apropriado" para impulsionar a recuperação econômica e assegurar a estabilidade de preços na zona do euro.

O presidente do BCE evitou todo comentário que possa gerar indícios de como evoluirão os juros "por mais importante que isso seja para os mercados".

"Não comentarei nada ao respeito. Acho que nossa posição nesse sentido é cristalina", disse.

Garantiu em contrapartida o apoio do banco ao sistema bancário pelo tempo que for necessário, apesar de que as medidas extraordinárias de liquidez serão retiradas de forma gradual para evitar novos riscos e distorções no sistema financeiro.

Trichet destacou a importância de os bancos aproveitarem as condições atuais para recuperação e realizarem reformas oportunas, pois "nossas democracias não aceitarão que esta crise volte a se repetir".

Ele reiterou também as previsões para a zona do euro anunciadas em dezembro, que falam de crescimento, embora moderado, em 2010.

"O processo de recuperação será possivelmente desigual e as perspectivas econômicas estão submissas à incerteza, tanto que alguns fatores que apontam esse crescimento têm caráter temporário", lembrou o presidente do banco europeu.

Indicou que o conselho de Governo considera que as pressões inflacionárias a médio prazo são baixas, ao passo que ocorre uma queda do crescimento do crédito e da base monetária.

Trichet destacou que a concessão de créditos a empresas é negativa e piorou nos últimos meses, o que reflete a reticência em dar empréstimos com um vencimento mais curto.

"Em geral, esperamos que a estabilidade de preços se manterá a médio prazo ancoradas nos objetivos do BCE de manter as taxas de inflação abaixo mas próximas ao 2%", disse.

Com relação ao mercado de câmbio, o presidente do BCE reiterou a importância de um dólar forte, o que, segundo ele, "é de interesse dos Estados Unidos", como reconhece o próprio secretário do Tesouro americano, Tim Geithner.

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