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19/01/2010 - 06h56

Japan Airlines apresenta declaração de concordata em tribunal

Tóquio, 19 jan (EFE).- A companhia aérea Japan Airlines (JAL), a maior da Ásia, apresentou hoje sua declaração de concordata em um tribunal de Tóquio, de acordo com a lei de Reabilitação Corporativa, informou a agência local "Kyodo".

No Brasil, a concordata é chamada de recuperação judicial. É um tempo que a empresa tem para se recuperar, pagar as dívidas e evitar seu fechamento.

A declaração de concordata apresentada pela JAL é a sexta maior da história do Japão depois da Segunda Guerra Mundial e a mais grave de uma companhia não financeira japonesa, que obrigará a JAL a sair da Bolsa de Tóquio.

A dívida da companhia aérea até 30 de setembro era de 2,32 trilhões de ienes (17,805 bilhões de euros), acima do estimado, informou a Japan Airlines.

Após saber da declaração de quebra, o Governo japonês emitiu um comunicado no qual promete "o necessário apoio" à JAL e pede que a empresa melhore sua base financeira e seu rendimento empresarial.

O Executivo apresentará hoje mesmo seu plano de reestruturação a três anos para a JAL, com o objetivo de que a companhia aérea não interrompa suas operações e retorne ao lucro no ano fiscal de 2012, que termina em março de 2013.

Segundo a "Kyodo", esse plano inclui a eliminação de 15 mil empregos, quase um terço do quadro de funcionários, e uma forte redução do tamanho de uma companhia aérea que era superdimensionada.

A companhia aérea anunciou também a renúncia do presidente da JAL, Haruka Nishimatsu, que será substituído pelo fundador da corporação Kyocera, o veterano empresário Kazuo Inamori.

A declaração de quebra da JAL, que inclui suas duas filiais, a Japan Airlines International e a JAL Capital, recorre à lei japonesa de Reabilitação Corporativa, semelhante à lei de falências dos Estados Unidos.

Esta norma protege a companhia temporariamente de seus credores e oferece tempo para uma reestruturação que dê lugar a uma empresa com menos dívida e de menor tamanho.

O plano para ajudar  a JAL está a cargo de um fundo paraestatal conhecido como Etic, que injetará na companhia aérea 300 bilhões de ienes (2,29 bilhões de euros), informou a companhia.

Além disso, o Etic ficará responsável por tramitar uma linha de crédito com o Banco de Desenvolvimento do Japão e vários bancos privados no valor de 600 bilhões de ienes (4,58 bilhões de euros).

Para ajudar a JAL, os bancos credores perdoarão um total de 358,5 bilhões de ienes (2,744 bilhões de euros) de dívida, enquanto 44 bilhões de ienes (337 milhões de euros) oferecidos pelo Banco de Desenvolvimento do Japão serão cobertos com recursos públicos.

A redução de pessoal será feita de forma gradativa até março de 2013, enquanto haverá cortes de 30% nos planos de previdência dos empregados aposentados e a eliminação das rotas não rentáveis.

Por causa da quebra, as ações da JAL devem parar de cotar, o que fez com que, em apenas uma semana, os títulos tenham perdido 90% do valor, até alcançar uma capitalização total de US$ 150 milhões, o preço de um Boeing 787.

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