UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

19/01/2010 - 22h26

Opep prevê leve aumento da demanda graças aos EUA

Luis Lidón.

Viena, 19 jan (EFE).- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentou hoje levemente suas estimativas de crescimento da demanda mundial de petróleo para este ano, graças à alta do consumo nos Estados Unidos, mas alertou que a volatilidade dos preços continuará nos próximos meses.

Esta ligeira variação em seu atual Relatório Mensal sobre o Mercado de Petróleo é de apenas 20 mil barris mais por dia, até 85,15 milhões de barris diários (mb/d), a respeito das previsões de dezembro, mas garante com cautela uma recuperação.

"As previsões econômicas oferecem um aspecto semiotimista para 2010, após dois anos de devastadora crise financeira" que teve um enorme impacto na queda do consumo, disseram os analistas da Opep.

O cartel destaca, portanto, que 2010 quebrará dois anos de queda contínua na demanda mundial de petróleo, algo que não tem precedentes desde 1982.

A melhora pode ser vista em todas as regiões, mas os países ricos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e especialmente os europeus, continuam sendo o elo mais fraco da recuperação.

"A maior parte da recuperação é prevista nos Estados Unidos", afirmam os analistas.

Estas expectativas de melhora em 2010 foram referendadas pela contínua revisão para cima da demanda e, se em setembro do ano passado a Opep calculava um aumento do consumo em 500 mil barris por dia em 2010, agora já são 820 mil barris diários a mais.

Mesmo assim, a estimativa da Opep sobre a demanda, situada em 85,15 mb/d, é bem mais baixa que a da Agência Internacional da Energia (AIE), dependente da OCDE e que este mês previu que o consumo seria de 86,3 mb/d este ano.

Para a Opep, os países emergentes - especialmente a China, com um crescimento de 8,8%, e a Índia, com 6,7% - continuarão compensando a queda do consumo dos mais desenvolvidos, mas, além disso, haverá uma alta do consumo nos EUA, devido ao esperado crescimento da economia americana em 1,9%.

No fim da recuperação econômica, estão o Japão, com um crescimento econômico de 1,1%, e a Europa, com apenas 0,6%, acompanhados por um fraco consumo energético.

Enquanto a demanda da China crescerá 4,5% (370.000 b/d), e a dos EUA subirá 1% (230.000 b/d), a da Europa Ocidental contrairá 1,37% (200.000 b/d).

A organização também tratou a situação atual dos preços e considera que os fundamentos do mercado não apoiam a recente escalada de alta que levou as marcas internacionais a atingir máximos de 15 meses.

"O persistente crescimento dos estoques, a baixa demanda sazonal e o início da manutenção das refinarias indicam a necessidade de continuar tendo cautela nos próximos meses, nos quais a volatilidade no mercado deve se manter", afirmou a Opep.

"Enquanto o aumento dos preços no começo do ano pode ser atribuído, em parte, a uma onda de frio, não pode ser explicado de todo esse aumento tão pronunciado, já que os estoques continuam suficientemente altos para fazer frente a qualquer aumento da demanda invernal", ressaltaram os analistas.

A Opep também afirmou que uma grande onda de investimentos se dirigiu aos mercados de matérias-primas, o que promoveu a especulação e, com isso, inflou os preços.

Por isso, os especialistas advertem que, se os dados econômicos não acompanharem as previsões de recuperação econômica, o mercado da energia sofrerá uma correção.

"Os preços podem ser particularmente vulneráveis à evolução econômica durante o segundo trimestre, que costuma ser de baixa demanda", concluíram os analistas da Opep.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host