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29/01/2010 - 10h01

Economias desenvolvidas invejam crescimento da China e Índia

Arantxa Iñiguez.

Davos (Suíça) 29 jan (EFE).- As economias desenvolvidas observam com admiração e inveja o vertiginoso crescimento dos gigantes asiáticos China e Índia, países dos quais dependem para sua recuperação a longo prazo.

Especialistas econômicos e políticos analisaram o futuro dos gigantes asiáticos no Fórum Econômico Mundial de Davos, que termina neste sábado.

China superará em 2020 os Estados Unidos como a maior economia mundial, na opinião de Martin Jacques, que trabalha no Centro de Pesquisa da Ásia na London School of Economics e autor do livro "When China Rules de World".

Por sua parte, Michael Spencer, analista na região da Ásia e do Pacífico do Deutsche Bank prevê que China crescerá 8% a 9% na próxima década, com uma inflação de 3% a 3,5%.

Spencer considera que a China precisará de 40 anos para alcançar o nível de vida dos EUA e Europa.

Neste sentido, o professor de Economia da Universidade de Columbia Xavier Salas-i-Martin disse à Agência Efe que "duvido que China vá a ser líder econômico porque são incapazes de inovar".

"China me lembra o que passou com o Japão e nunca se materializou, porque o crescimento econômico está dirigido pela inovação e China copia, mas ainda não inventou nada. Japão nunca teve um sistema inovador como Vale do Silício", segundo Salas-i-Martin.

Acrescentou que "China ainda é pobre e (ainda) tem que crescer muito e muito o que copiar"·
"Enfeitado por Índia, um sistema baseado na criatividade do povo. Vale do Silício está cheio de índios", afirmou Salas-i-Martin.

China, que tem uma população de 1.334 milhões de pessoas e uma renda per capita de US$ 3.678, vive atualmente um rápido processo de industrialização e de urbanização.

EUA tem uma população de 307,4 milhões de pessoas e uma renda per capita de US$ 46.381 (em ambos casos números de 2009).

Índia tem uma população de 1.200 milhões de pessoas e uma renda per capita de US$ 1.031.

Nos próximos anos China vai enfrentar uma mudança demográfica que desencadeará uma desaceleração do crescimento da força de trabalho e que pressionará a manutenção de uma taxa de crescimento elevada, segundo o economista-chefe da China do banco UBS, Wang Tao.

Isto não vai acontecer na Índia, porque com seu crescimento demográfico vai proporcionar uma grande força de trabalho.

O ministro de Finanças indiano, Pranab Mukherjee, previu em Davos um reativação econômica de 9% em 2011 em seu país.

China se transformou na segunda economia do mundo, na frente do Japão e atrás dos EUA, ao conseguir um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 10,5% em 2010 até US$ 6 trilhões.

China é o mercado no qual mais crescem as exportações da Europa, embora em termos totais só representam 8,5% das vendas ao exterior da União Europeia (UE).

Mas o importante é o ritmo de crescimento, já que a venda de bens e serviços da UE à China se triplicou entre 2000 e 2009, até os 82 bilhões de euros.

As companhias automobilísticas alemãs como Volkswagen, BMW e Porsche alcançaram números de venda recorde na China no ano passado.

Além disso, China prometeu ajudar a Europa e vai comprar dívida soberana da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, por isso que vai ter uma importante função em solucionar a crise da dívida soberana.

Por sua vez, China financia o déficit corrente dos EUA, com uma acumulação de reservas de divisas a escala mundial, que alcançaram US$ 8,4 trilhões, a maior parte destas reservas é denominada em ativos em dólares.

Ao mesmo tempo, os baixos custos trabalhistas na China e Índia representam uma ameaça para o emprego na Europa.

"Em termos de desafios do emprego do mundo estamos perante um jogo muito novo. Temos 3.200 milhões de trabalhadores no mundo, uma terceira parte deles são da Índia e China. Isto muda as circunstâncias para as empresas e os trabalhadores. Os sindicatos devemos de tratar de melhorar os padrões nestes países", disse à Agência Efe o secretário-geral da organização sindical Global Union, Philip J. Jennings.
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