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29/01/2010 - 16h27

Fórum Social pressionará em 2010 pela defesa do planeta

EFE
Eduardo Davis.

Porto Alegre, 29 jan (EFE).- O Fórum Social Mundial encerrou hoje com o compromisso de pressionar durante todo o ano de 2010 para que um acordo em defesa do planeta seja firmado na cúpula da ONU que será realizada em novembro no México, após o fracasso de Copenhague.

O primeiro passo da articulação dos grupos do fórum será dado na Bolívia, durante a Cúpula Mundial de Movimentos Sociais sobre a Mudança Climática que o presidente Evo Morales convocou para ser realizada entre os dias 19 e 22 de abril.

A cúpula proposta por Morales terá um sólido apoio do Fórum Social Mundial, que "não está disposto a permitir mais fracassos" como o da Cúpula sobre Mudança Climática realizada pela ONU em Copenhague no final de 2009, afirmaram líderes do movimento.

Os movimentos sociais se comprometeram a sustentar o referendo mundial proposto por Evo Morales para que "os povos" influenciem nas políticas de redução do aquecimento global.

O embaixador boliviano diante da ONU, Pablo Solón, agradeceu hoje o respaldo das organizações reunidas em Porto Alegre e afirmou que "não é possível permitir que o capitalismo termine de acabar com o planeta".

Segundo Solón, "os direitos da humanidade só poderão ser garantidos se forem respeitados os direitos da Mãe Terra" e "se conseguirmos frear a lógica de destruição do capitalismo".

Diante da Assembleia dos Movimentos Sociais que encerrou hoje o Fórum Social, Solón denunciou que os países mais desenvolvidos, e especialmente os Estados Unidos, "insistem em destinar mil vezes mais recursos para o financiamento de guerras que para reduzir o aquecimento global".

O fracasso da Cúpula de Copenhague reativou a agenda ecológica do Fórum Social, que em seus dez anos de existência agitou as bandeiras da defesa do meio ambiente.

As divergências no seio do movimento contra a globalização impediram que o Fórum Social elaborasse propostas unitárias e concretas nesse e em outros assuntos.

As discórdias foram criticadas pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos que insistiu ao Fórum Social que supere suas diferenças e apresente em novembro, na Cúpula sobre Mudança Climática do México, alternativas às propostas do capitalismo.

O Fórum Social "esteve em Copenhague, mas com suas organizações dispersas não apresentou propostas como deveria. No México não pode ser assim e o movimento deve chegar articulado, com alternativas e unido sob uma mesma bandeira", disse de Sousa Santos à Efe.

Os cinco dias de debates em Porto Alegre foram a primeira grande atividade do ano do Fórum Social Mundial, que em 2010 realizará eventos similares em 37 países.

Além da defesa do meio ambiente, o movimento decidiu centralizar muitas dessas atividades em uma campanha contra "as bases estrangeiras na América Latina e no Caribe", colocada por um grupo brasileiro em protesto pelo acordo que permitirá os Estados Unidos utilizarem as instalações militares na Colômbia.

Nestes cinco dias, o Fórum Social Mundial também reafirmou seu desejo anticapitalista e pediu uma maior unidade às esquerdas globais, convencido que "o neoliberalismo não foi derrotado" e que usará a crise financeira global para exigir mais força.

"Os bilhões usados contra a crise foram para salvar os bancos e as empresas do mesmo sistema opressor, que sairá mais fortalecido quando acabarem as turbulências", disse o guatemalteco Daniel Pascual, da organização Via Campesina.

Durante a reunião de Porto Alegre, o Fórum Social Mundial manifestou sua solidariedade com as vítimas do terremoto que arrasou Haiti no último dia 12 de janeiro e condenou o que definiu de invasão militar americana a esse país, após a tragédia.

"O Haiti precisa de solidariedade, médicos e técnicos que trabalhem na reconstrução do país com uma mão amiga e não com armas", expressou o Fórum Social por meio de um documento divulgado ao final.

O Fórum Social voltará a ter um único encontro mundial em 2011, no Dacar, capital do Senegal.

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