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29/01/2010 - 08h40

Japão retoma recuperação, mas com questões pendentes para 2010

EFE

Jairo Mejía.

Tóquio, 29 jan (EFE).- O Japão fechou o ano de 2009 com uma certa recuperação da produção e do consumo, mas com a deflação como a maior ameaça para uma economia que poderia ceder este ano seu posto de segunda maior potência mundial para a China.

O desemprego ficou em 5,1% em 2009, o pior nível em seis anos, mas, para as autoridades japonesas, o maior temor é uma deflação que se instalou no Japão com uma queda dos preços de 1,3% no ano passado, segundo dados divulgados hoje.

Estes dois problemas podem colocar em risco, em 2010, a recuperação iniciada no setor manufatureiro, com a melhora da produção pelo décimo mês consecutivo e a melhora das exportações, que contribuíram para que o Produto Interno Bruto (PIB) japonês comece a se recuperar.

O Banco do Japão (BOJ) acredita que a economia japonesa crescerá 1,3% no ano fiscal que começa em abril, mas alertou sobre os problemas que a deflação que já dura dez meses pode causar sobre o indicador que mede a riqueza do país.

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, disse hoje que a primeira missão do Governo deve ser devolver o Japão ao caminho do crescimento e evitar, assim, uma recaída, por isso pediu o apoio da Dieta (Parlamento) para a aprovação de novos programas de estímulo.

Além disso, Hatoyama pediu ajuda ao BOJ para corrigir a deflação que está afetando gravemente a receita das empresas japonesas e prejudica a evolução de uma economia com um grande componente de consumo interno.

Quando saírem os dados do PIB do último trimestre de 2009, o Japão poderia ceder o posto de segunda maior economia mundial à China, mas a forte valorização do iene em relação ao iuane e ao dólar, e a mais que provável melhora nesse período, poderia adiar a substituição.

No entanto, para o Governo japonês, há problemas mais urgentes, como a redução da dívida nacional, que está se aproximando de um volume que representa o dobro do PIB e que não parece que vá diminuir a curto prazo, devido às necessidades de financiamento das medidas anticrise.

Devido a este peso, o Standard and Poor's reduziu esta semana a qualidade creditícia AA do Japão para "negativo", em vez de "estável", argumentando que o Governo não está tomando medidas sérias para reduzir a dívida, a maior de todas as nações industrializadas.

O Executivo japonês prometeu uma política fiscal sólida e cortes de despesas desnecessárias para financiar os planos de estímulo e um novo orçamento para o ano fiscal que começa em abril, com o objetivo de reduzir os problemas dos Governos regionais, das empresas e incentivar o consumo.

No entanto, hoje, o Japão continua sendo uma economia sólida, que consolidou o superávit comercial perdido há um ano, tem a segunda maior reserva de divisas do mundo e mantém o iene como uma das principais moedas nos mercados de capital.

Além disso, o consumo das famílias segue aumentando desde maio, encorajado pelos descontos governamentais ao consumo de eletrodomésticos, eletrônicos e automóveis, que deram força às empresas japonesas, muitas das quais voltaram ao lucro após sofrer o pior da crise em 2008.

Além disso, a China, que vem logo atrás do Japão no ranking das principais economias mundiais, transformou-se no principal mercado que permitiu que o Japão aumentasse suas exportações em dezembro pela primeira vez em 15 meses.

Grandes empresas como a Toyota, a Nissan, a Hitachi e a Panasonic estão orientando sua estratégia de vendas para o mercado chinês, país para onde olha agora o empresariado japonês, em detrimento do tradicional aliado americano.

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