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29/01/2010 - 13h51

Presidente do BCE considera que crise é subestimada

EFE
Arantxa Iñiguez Davos (Suíça) 29 jan (EFE).- O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, advertiu hoje em Davos que se subestima que a crise financeira e econômica esteve muito perto de chegar a ser uma grande depressão e que é necessário trabalhar por um sistema financeiro mais resistente.

Na reta final da 40ª edição do Fórum Econômico Mundial realizado na cidade suíça de Davos, a elite política e econômica mundial analisou os efeitos da enorme assistência pública ao sistema financeiro e econômico para evitar a catástrofe.

Em um debate sobre a intervenção estatal, do qual também participou o líder da oposição conservadora britânica, David Cameron, Trichet considerou que foi possível evitar uma grande depressão econômica graças à enorme ajuda pública e à atuação dos bancos centrais no mundo todo.

"Subestima-se que estivemos muito perto de uma depressão total", disse Trichet.

"Os Governos puseram na mesa um nível de risco para os contribuintes necessário para evitar a depressão" e o colapso do sistema, até "25% do Produto Interno Bruto (PIB) nos dois lados do Atlântico", segundo Trichet.

"Agora trabalhamos muito ativamente para tentar fortalecer o sistema financeiro global, o que significa uma melhor regulação, não necessariamente uma maior regulação", em palavras de Trichet.

Ele acrescentou que é preciso "melhorar tudo, inclusive, claro, a gestão de riscos dos bancos e o comportamento dos bancos".

Trichet parabenizou o trabalho do G20, do Conselho de Estabilidade Financeira e do Comitê de Basileia. Estes dois últimos organismos de supervisão financeira do Banco para Pagamentos Internacionais (BIS), que atua como banco para os bancos centrais.

O presidente do BCE insistiu que é necessário encontrar soluções em nível global, não locais, regionais, continentais ou nacionais já que são uma "receita para a catástrofe".

Ele destacou que "se queremos criar emprego o mais rápido possível, precisamos de confiança", algo que os bancos centrais estão tentando restaurar.

O líder sindical John Evans ressaltou que também "se subestima o nível de enfado" em todas as organizações de defesa dos trabalhadores.

Evans, que é secretário-geral de uma organização sindical que assessora a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), disse que "é impensável a ideia de que os Governos possam ir embora após terem gastado trilhões".

A crise financeira obrigou uma intervenção estatal sem precedentes no coração do sistema econômico capitalista e nos mercados, que temem agora um excesso de regulação que os impeça atuar.

A classe política e os bancos centrais, conscientes do custo que exigiram dos contribuintes para salvar o sistema financeiro, pede aos bancos em Davos um pouco mais de responsabilidade e sensibilidade.

O Fórum calcula que os Governos de todo o mundo gastaram quase US$ 11 trilhões para ajudar os bancos com problemas e reparar o sistema financeiro.

Em relação à regulação, o líder conservador britânico Cameron disse que é necessário que o Reino Unido mude o sistema regulador dos mercados financeiros para acabar com o sistema tripartite e centralizá-lo no Banco da Inglaterra.

"Não se trata tanto da quantidade de regulação, mas da qualidade", segundo Cameron.

O Fórum considera que "atualmente estamos no meio de uma crise financeira, de energia e de emprego - com uma perda de 34 milhões de empregos nos dois últimos anos - que provoca uma crise de confiança" no capitalismo e nos setores empresariais.

A crise forçou "um nível de participação dos Governos no setor financeiro sem precedentes", lembrou o executivo-chefe do banco russo VTB Bank, Andrei Kostin.

Com muito humor, Kostin lembrou que o ex-presidente americano Ronald Reagan (1981-1989) disse certa vez que "as palavras mais terríveis eram dizer 'sou do Governo e estou aqui para ajudar', mas durante a crise foram palavras que o setor financeiro ficava fascinado ao ouvir".

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