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30/01/2010 - 17h41

Polêmica no BC volta a confrontar Governo e oposição na Argentina

EFE
Buenos Aires, 30 jan (EFE).- Em meio a um intenso e prolongado conflito, Governo e oposição voltaram a entrar em confronto na Argentina após a decisão da Casa Rosada de não aceitar a inesperada renúncia de Martín Redrado ao cargo de presidente do banco central.

No cargo durante as três últimas semanas mesmo com os contínuos ataques do Governo por se negar a autorizar o uso de reservas monetárias para o pagamento de dívidas, Redrado renunciou ontem à noite em coletiva de imprensa.

O presidente do BC nem esperou que a comissão bicameral que estuda a remoção divulgasse sua decisão sobre o caso, o que está previsto para a terça-feira.

O Governo Cristina Kirchner insiste em não aceitar a saída de Redrado e vai esperar o pronunciamento da comissão.

"Não podemos nem devemos aceitar a renúncia", assegurou hoje em declarações a uma rádio local o chefe de Gabinete, Aníbal Fernández.

Como afirmou ontem à noite, Fernández considera que "a renúncia não existe". "Ele deveria tê-la apresentado antes e não após ter submetido os argentinos a essa situação", comentou.

Em declarações hoje à agência de notícias estatal "Télam", o presidente da bancada governista na câmara, Agustín Rossi, disse que "Redrado não pode desautorizar o Congresso Nacional após dois dias de depor na comissão bicameral".

Para a opositora Margarita Stolbizer, chefe do bloco de deputados do chamado GENE (Geração para um Encontro Nacional), a situação é como um "divórcio escandaloso" que faz o país passar por "um papelão inexplicável".

"Isso pode marcar uma forma de Governo para os próximos dois anos, vão querer governar com decretos de necessidade e urgência com uma câmara que os regulamente. É preciso ser muito cuidadoso porque esta gente quer atropelar tudo que é institucional", advertiu.

O deputado Gustavo Ferrari, do opositor Peronismo Federal, também afirmou hoje que depois que o país esteve imerso em um conflito de quase dois meses, "seria interessante para todos conhecer qual é a opinião da comissão de acordo com os depoimentos".

"Se não, fica a sensação de que estivemos discutindo sobre um tema que ao fim terminou com uma renúncia", acrescentou.

O líder do principal partido da oposição (União Cívica Radical), o senador Ernesto Sanz, qualificou como "criancice" o fato de o Governo se negar a aceitar a saída de Redrado.

A deputada Elisa Carrió, líder da Coalizão Cívica, apoiou as declarações de Redrado, que ao renunciar explicou que se chegou a essa situação de tensão "pelo permanente avassalamento por parte do Governo das instituições".

"Efetivamente, houve um atropelamento institucional sem precedentes", assegurou Carrió.

Já o ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, opinou que a partir da renúncia os bônus voltarão a subir e o país seguirá acumulando reservas.

Boudou insistiu também sobre a importância de que a comissão bicameral se pronuncie "porque será demonstrado o desempenho ruim e o descumprimento dos deveres de funcionário público de Redrado".

O conflito surgiu quando Cristina destituiu Redrado, em 7 de janeiro, por decreto sem consulta a comissão parlamentar, como exige o regulamento do banco central.

A razão da demissão foi a recusa de Redrado de permitir o uso de US$ 6,5 bilhões provenientes de reservas monetárias para a formação do chamado Fundo do Bicentenário, destinado ao pagamento de dívidas soberanas e criado por decreto presidencial em dezembro.

Perante a crise, que derivou em um complicado caso judicial, a presidente decidiu na semana passada pedir o conselho não vinculativo sobre a destituição a uma comissão integrada pelo deputado governista Gustavo Marconato, por Alfonso Prat Gay, da opositora Coalizão Cívica, e pelo presidente do Senado e vice-presidente argentino, Julio Cobos.

Após ouvir as posições de Boudou, do até quarta-feira procurador do Tesouro, Osvaldo Guglielmino; do presidente provisório do banco central, Miguel Ángel Pesce, e do próprio Redrado, a comissão anunciou ontem que esperava dar uma posição sobre o caso na próxima terça-feira.

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