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09/02/2010 - 17h05

Parlamento Europeu pede medidas contra especulação sobre o euro

EFE

Bruxelas, 9 fev (EFE).- O Parlamento Europeu pediu nesta terça-feira uma maior coordenação das políticas econômicas na União Europeia (UE), além de medidas contra a especulação sobre o euro e contra os ataques a países como a Grécia, que sofre uma crise de credibilidade nos mercados pela deterioração de suas finanças públicas.

"A Europa tem que poder dar uma resposta quando há especulações contra determinados países. Tem que haver medidas para evitar isto", disse o socialista alemão Udo Bullmann, durante um debate extraordinário realizado hoje em Estrasburgo (França).

Jean-Paul Gauzès, deputado do Partido Popular Europeu, concordou com Bullmann e pediu aos governos europeus para que "não se deixem impressionar pelas tentativas de desestabilização do euro por parte dos especuladores".

"Temos que nos dotar de instrumentos para poder agir diante das reações dos mercados. O mercado põe uns contra outros e submete nossa capacidade de sobrevivência a toda prova. Se queremos ganhar margem de manobra, temos que ter nossa própria estratégia", insistiu a socialista francesa Pervenche Berès.

Os deputados fizeram estas e outras muitas declarações no mesmo sentido durante um debate marcado de última hora após as quedas nas bolsas na semana passada em vários países da zona do euro, afetados pela crise de credibilidade da Grécia.

Muitas destes pedidos vieram de parlamentares dos países atingidos pelas turbulências.

A socialista grega Anni Podimata considerou que "é preciso controlar o capital especulativo, porque muitas vezes trabalha contra o interesse dos europeus".

O também grego Georgios Toussas, do grupo dos Verdes, foi além ao considerar que "a culpa da crise é dos mercados e as consequências vão ser transferidas para os trabalhadores".

Para fazer frente a esta situação, a maior parte dos que discursaram defendeu aumentar a coordenação econômica entre os 27 países da UE, em linha com o defendido horas antes pelo presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, durante o discurso no qual traçou suas prioridades para os próximos cinco anos.

"A solução é clara: precisamos de mais união econômica e monetária, e também de mais competitividade e solidariedade", assegurou Diogo Feio, do Partido Popular Europeu.

O socialista espanhol Antolín Sánchez Presedo concordou com a análise da maioria e assegurou que "é hora de reformas de integração para elevar o potencial de crescimento".

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Joaquín Almunia, presente no debate parlamentar, se alinhou com os parlamentares "na necessidade de coordenar a cooperação na união monetária e na UE em seu conjunto".

Neste sentido, considerou que a reunião informal de chefes de Estado e de Governo que será realizada na próxima quinta-feira em Bruxelas "é muito importante".

"(A reunião) ocorre em um momento com tensões nos mercados que não conhecíamos desde a criação da união monetária e com uma crise que também não conhecíamos e da qual temos que sair para que a década de 2010 seja de crescimento", analisou o comissário.

Almunia desejou que a cúpula termine com um "compromisso de mais coordenação e de reforço da zona econômica e monetária".

"Dentro e fora de nossas fronteiras, a eurozona tem que falar às claras, ser contundente, crível, porque isso reforça a confiança de nossos cidadãos e do mundo em nossa moeda e nosso projeto, que não é só econômico", afirmou.

Almunia também disse esperar que os líderes reunidos em Bruxelas mandem um claro recado de cumprimento de seus compromissos de ajustes orçamentários e confiou em que demonstrarão apoio à Grécia.

"O apoio tem que ser claro, em troca de responsabilidades", assegurou.

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