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11/02/2010 - 16h54

Tensão e confrontos marcam aniversário da Revolução Islâmica no Irã

Javier Martín.

Teerã, 11 fev (EFE).- Centenas de milhares de pessoas se concentraram hoje na praça de Azadi, no oeste de Teerã, para comemorar o 31º aniversário da Revolução Islâmica em um dia de mais confrontos entre opositores e forças de segurança.

Segundo o site "Nooruz", administrado pela oposição, mais de 30 pessoas foram detidas em diferentes partes de Teerã, onde a Polícia atuou com extrema dureza para reprimir as manifestações da oposição.

O site "Jaras", ligado aos opositores, afirmou que as forças de segurança abriram fogo contra a população na praça de Arashiah, no oeste da capital, e atiraram para o alto em outros lugares do centro de Teerã, como a praça de Enguelab.

Apesar da forte presença policial, um grande número de opositores conseguiu se reunir na praça de Vanak, na região norte de Teerã, onde ocorreram violentos confrontos, destacou o "Jaras" sem dar mais detalhes.

A informação não pôde ser comprovada por outras fontes devido às restrições que as autoridades iranianas impuseram à imprensa, que pela primeira vez em três décadas não pôde informar livremente sobre o aniversário da Revolução Islâmica.

Os poucos representantes da imprensa estrangeira que ainda permanecem no país foram convocados às 8h locais e levados de ônibus até a praça de Azadi para acompanhar o discurso do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

A televisão estatal não fez alusão aos possíveis distúrbios e se limitou a informar que "milhões de pessoas" saíram às ruas para comemorar a data.

Os sites reformistas também informaram sobre ataques ao líder opositor, Mehdi Karrubi, e ao ex-presidente iraniano Mohamad Khatami quando ambos tentaram participar das manifestações.

Segundo o "Jaras", milicianos islâmicos Basij cercaram e lançaram pedras contra o carro de Karrubi quando aparentemente seguia em direção à manifestação.

O clérigo se viu obrigado a fugir depois que os agressores quebraram os vidros do veículo e um de seus guarda-costas ficasse ferido, explicou Hussein Karrubi, um dos filhos do ex-presidente do Parlamento.

Seu irmão, Ali, filho mais novo do ex-candidato à Presidência iraniana, foi detido durante o incidente, acrescentou.

Hussein Karrubi disse ao "Jaras" que nunca tinha visto uma repressão igual e assegurou que muitas pessoas vestidas de civil usaram sprays de gases irritantes contra o rosto de seu pai.

O mesmo site informou também sobre um ataque similar contra o ex-presidente Khatami, que também teria escapado ileso, sem proporcionar outros detalhes.

Também foram detidos durante pelo menos uma hora Zahra Eshraqi, neta do fundador da República islâmica, grande aiatolá Ruhollah Khomeini, e seu marido, Mohammed Reza Khatami, irmão do ex-presidente reformista.

O "Jaras" afirmou também que houve protestos em outras cidades, como Isfahan, Mashhad e Shiraz, onde houve muitos feridos e dezenas de detidos, uma informação que também não pôde ser confirmada.

A menos de um quilômetro do ataque contra Karrubi, centenas de milhares de simpatizantes ao Governo iraniano esperaram pacientemente a chegada de Ahmadinejad enquanto cantavam palavras como "morte aos Estados Unidos" e "morte a Israel".

O presidente do Irã retomou seu tom desafiador e anunciou que seu país tem capacidade para enriquecer urânio até 80%, mas que por enquanto não está interessado em chegar a esse nível e que não procura ter armas nucleares.

"Quando dizemos que não estamos fabricando a bomba, estamos falando sério. Se quiséssemos fazê-lo, anunciaríamos", ressaltou.

Além disso, revelou que cientistas iranianos conseguiram produzir, em apenas dois dias, o primeiro pacote de urânio enriquecido a 20% e que o Irã já é "um país nuclear" que tem a intenção de "triplicar a produção" de urânio a 3,5%.

O conflito nuclear entre Irã e a comunidade internacional se agravou esta semana depois que o Governo iraniano iniciou o processo de enriquecimento de urânio a 20% apesar das advertências das principais potências ocidentais.

Em resposta, Washington impôs ontem novas sanções a quatro empresas ligadas à Guarda Revolucionária iraniana e a um general desta tropa, em um primeiro passo rumo a um novo pacote de sanções.

"Os inimigos sofrerão uma sonora derrota", respondeu hoje Ahmadinejad em seu discurso.

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