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12/02/2010 - 18h12

Brasil diz que declarações de Lula foram mal-entendidas na Bolívia

EFE
La Paz, 12 fev (EFE).- O embaixador do Brasil em La Paz, Frederico Cezar de Araújo, assegurou hoje que foram mal-interpretadas as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando disse que o Brasil continuaria comprando gás da Bolívia até que seja auto-suficiente "por solidariedade".

Para Araújo, houve uma "má interpretação" das palavras de Lula, pois o que se discute atualmente não é a compra de gás, já que existe um acordo a respeito, mas a ampliação desse convênio, cuja vigência termina em 2019.

O embaixador brasileiro se referiu assim às declarações de Lula nas quais assegurou que, apesar de seu país ser auto-suficiente, continuará comprando gás da Bolívia "porque é um país pobre" e é preciso ajudá-lo.

Essas palavras não foram bem recebidas por La Paz. O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, replicou que Brasília deve cumprir com o contrato de compra de gás natural, à margem da "boa vontade" de Lula.

Araújo lembrou que os dois Governos têm vigente um contrato que compromete os produtores bolivianos a fornecer gás ao Sudeste do Brasil até 2019 e disse ter certeza que se proporá a La Paz prolongar este acordo "porque é útil aos dois países".

Além disso, o embaixador interpretou que quando o presidente Lula falou de solidariedade se referia à política do Governo de Evo Morales na qual a Bolívia quer "parceiros, e não donos" dos recursos naturais.

Neste sentido, Araújo acrescentou que em março chegarão à Bolívia "dois grandes complexos industriais brasileiros para industrializar de um lado o gás e de outro explorar a possibilidade de industrialização dos recursos do Salar de Uyuni".

Segundo o embaixador, o projeto de instalar um pólo gás-químico, que seria situado na cidade fronteiriça de Puerto Suárez, na região oriental de Santa Cruz, está sendo debatido há uma década e "incide na política boliviana de promover industrialização a seus produtos".

Araújo detalhou que essa iniciativa contempla a fabricação de adubos para a agricultura boliviana e para o Centro-Oeste do Brasil, além da transformação de gases em plásticos.

O diplomata, que já tinha antecipado neste ano o interesse do Brasil de participar da industrialização do gás boliviano, afirmou em janeiro que seu Governo trabalha com a petroquímica brasileira Braskem para que apresente seus projetos para o estabelecimento de um pólo gás-químico.

Além disso, Araújo disse que esse projeto demandará um investimento entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões.

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