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12/02/2010 - 20h04

Scanners corporais em aeroportos podem ajudar combate ao terrorismo

EFE
La Coruña (Espanha), 12 fev (EFE).- O comissário de Transportes da União Europeia (UE), Siim Kallas, assegurou hoje que os scanners corporais já foram testados em alguns aeroportos e acrescentou que os fiscais de segurança "acham que são adequados" e que podem representar "um acréscimo" na luta contra o terrorismo.

Kallas concedeu entrevista coletiva junto a José Blanco López, ministro de Fomento da Espanha, país que exerce a Presidência da UE neste semestre.

A entrevista foi concedida em La Coruña (Espanha) ao final da reunião informal na qual uma dezena de ministros da UE e de outros países europeus debateram medidas para aumentar a segurança nos aeroportos.

Ao informar à imprensa sobre o resultado da reunião ministerial, López explicou que Bruxelas estudará o respeito ao "direito à intimidade" e outros aspectos legais antes de propor em junho a adoção de medidas conjuntas sobre a implantação dos scanneres.

Segundo o ministro, será elaborado um relatório relativo a essas tecnologias, que deverá ficar pronto em abril próximo e servirá de base para a proposta de "regras comuns" europeias que fará a Comissão no Conselho de ministros de Transporte, em julho próximo.

A decisão de elaborar um relatório obedece às reservas de vários países sobre estes aparelhos, entre eles Alemanha e França, após o atentado frustrado em um voo entre Amsterdã e Detroit (EUA) em 25 de dezembro passado.

Na ocasião, um passageiro tentou destruir o avião acendendo um pó explosivo que não foi detectado no aeroporto holandês de Schiphol.

O titular de Fomento da Espanha disse que a normativa de uso deverá obrigar a "destruição das imagens" recolhidas pelos scanners - nos quais se veem os corpos praticamente nus -, a "formação do pessoal encarregado do controle de passageiros ou a proibição de controles seletivos por razões de raça, gênero ou outro".

O comissário europeu Kallas afirmou que a Comissão Europeia examinará questões relativas à "privacidade" ou aos "direitos" dos passageiros, para depois apresentar o relatório. No entanto, ele disse que todos concordam com a necessidade de adotar "normas comuns".

Kallas citou Holanda, Reino Unido, Itália, França e Finlândia entre os países-membros do bloco que já dispõem ou disporão de scanners para testes.

"Não deveríamos debater questões unicamente em nível emocional nem demonizar as novas tecnologias", disse Kallas. Em sua opinião, "o terrorismo se desenvolve e se adapta e nós devemos fazer o mesmo".

O estudo terá também em conta a colocação de alguns países sobre a possibilidade de implantar os scanners "primeiro para os voos transatlânticos e posteriormente no resto de aeroportos que não tivessem voos transatlânticos", disse López.

Além disso, ele ressaltou que será examinado o impacto econômico da proposta, já que se trata de uma tecnologia muito cara.

Questionado sobre se a UE está sob pressão de Washington e se Bruxelas está disposta a atuar como no caso do controle sobre transferências bancárias frente a eventuais redes terroristas, Kallas indicou que "está fora de questão crer que quando os EUA dizem algo, nós em seguida fazemos o que diga".

Nesse sentido, López assegurou que recentemente se reuniu com a secretária dos EUA sobre Segurança Interior, Janet Napolitano, e "em nenhum momento colocou o tema da segurança e o tema das sugestões para fazer frente à ameaça terrorista como forma de imposição".

O ministro ressaltou que "não trata de seguir atrás de ninguém, mas de encontrar um caminho e uma resposta a uma ameaça". Por isso, sentenciou: "todos estamos ameaçados. Se não assumirmos o desafio e a resposta global, nos equivocaremos como União Europeia".

López acrescentou que a Comissão deverá fazer propostas para reforçar a segurança aérea, mas reconheceu que deverá analisar mais a fundo os assuntos que suscitaram "inquietação".

O ministro assinalou que a intenção dos países da UE é "buscar mecanismos que sejam mais eficazes do ponto de vista da segurança e ao mesmo tempo gerem menos inconvenientes para os cidadãos".

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