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15/02/2010 - 01h37

Empréstimos de Wall Street agravaram a dívida da Grécia, diz jornal

EFE

Washington, 14 fev (EFE).- Táticas empregadas pela bolsa de Nova York, similares às que fomentaram a crise das "subprime" (hipotecas de alto risco) nos EUA, contribuíram para agravar a crise da Grécia e prejudicaram o euro, permitindo a Governos europeus ocultar sua dívida, assegurou o jornal "The New York Times".

O diário, que baseou sua análise em entrevistas, relatórios e documentos aos quais teve acesso, afirmou que Atenas teve, durante uma década, a ajuda de Wall Street em práticas que lhe permitiram extrapolar os limites de dívida estabelecidos pela União Europeia.

Uma transação promovida pelo Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, permitiu que os gregos ocultassem bilhões de euros em dívida das autoridades supervisoras de Bruxelas, indica o diário.

Quando a crise fiscal da Grécia estava em seu ponto máximo, e em ponto de não retorno, bancos de Wall Street estavam buscando mecanismos para ajudar o país a evitar perguntas incômodas por parte de Bruxelas e dos países da zona do euro.

No início de novembro, três meses antes de Atenas se converter no epicentro da preocupação global pela má situação de suas contas públicas, uma equipe da Goldman Sachs chegou à capital grega com uma proposta "muito moderna" para Governos em dificuldades para enfrentar suas despesas, segundo duas pessoas que foram informadas do encontro, revela o jornal.

Os banqueiros, liderados pelo presidente da Goldman, Gary Cohn, ofereceram à Grécia um produto financeiro que permitiria ao país redistribuir parte da dívida de seu sistema sanitário para que tivesse que fazer o pagamento depois de muito tempo.

A tática oferecida pela Goldman já tinha funcionado em 2001, pouco depois que Grécia foi aceita na zona euro. Na ocasião, o banco desenhou uma estratégia para que Atenas conseguisse pegar emprestados bilhões de euros sem superar os limites fixados por Bruxelas, assinala o jornal nova-iorquino.

A transação, que não foi divulgada porque foi qualificada como uma intermediação de divisas e não como um empréstimo, permitiu à Grécia cumprir as normas de Bruxelas enquanto seguia gastando mais do que podia, segundo o "New York Times".

Atenas não aceitou a última proposta de Goldman, mas por causa da grave crise de credibilidade da Grécia devido à má situação de suas contas públicas, o papel de Wall Street no "mais recente drama financeiro mundial" traz sérias perguntas, na opinião do diário.

Da mesma forma que na crise das "subprime" nos EUA e no colapso e posterior resgate da seguradora American International Group (AIG), produtos financeiros de derivados tiveram papel fundamental na fase prévia à crise de dívida da Grécia, lembra o jornal.

Instrumentos desenvolvidos por Goldman, JPMorgan Chase e outros bancos permitiram a Governos europeus ocultar os empréstimos adicionais que faziam, como ocorreu na Grécia e Itália e provavelmente em outros países, segundo o "New York Times".

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