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16/02/2010 - 18h35

Sem esclarecer ajuda, UE aumenta pressão sobre Grécia

Bruxelas, 16 fev (EFE).- Os países-membros da União Europeia (UE) continuam a pressão sobre a Grécia para que reduza drasticamente o déficit fiscal, mas seguem sem oferecer em troca detalhes sobre os instrumentos que seriam utilizados para uma eventual ajuda.

Os ministros da Economia e das Finanças da UE tomaram em Bruxelas uma série de decisões que impõem à Grécia um exigente calendário para o reajuste, e exigiram de forma imediata amplas reformas estruturais.

Desse modo, as autoridades gregas deverão anunciar em 16 de março mais medidas de ajuste além das aprovadas hoje, no caso de o processo de consolidação orçamentária se afastar do objetivo de redução do déficit fixado.

No que diz respeito a eventuais ajudas financeiras, o bloco preferiu se ater ao texto da declaração estipulado na quinta-feira passada pelos líderes europeus, segundo destacou a ministra Elena Salgado (Espanha), que presidiu a reunião do conselho (Ecofin).

Na cúpula da semana passada, os líderes da UE se comprometeram a tomar medidas determinadas e coordenadas para preservar a estabilidade da zona do euro, no caso de as dificuldades de financiamento da Grécia se agravarem e a instabilidade se alastrar.

Desde então, os ministros europeus fazem silêncio sobre que medidas seriam tomadas .

As regras da união monetária proíbem a Comissão e o Banco Central Europeu de financiar o endividamento de um membro da zona do euro, e não está claro se um mecanismo de ajuda bilateral direta seria compatível com o tratado.

A Alemanha, principal potência econômica europeia, se mantém firme na rejeição ao argumento grego de que, se se anunciasse já um plano concreto de resgate, os mercados aliviariam a pressão sobre seus bônus.

"O problema da Grécia é sobretudo um problema grego, um problema interno grego", deixou claro ontem à noite o presidente do Eurogrupo, o luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Juncker lançou, no entanto, um claro desafio aos especuladores: "os mercados se equivocam se acham que podem pôr a Grécia de joelhos".

Entre quinta-feira e hoje, o Governo de George Papandreu, que enfrenta internamente uma onda de protestos e greves, teve que ceder em outro ponto.

Além das medidas incluídas no plano atualizado de estabilidade 2010-13, negociado em meados de janeiro com Bruxelas, Atenas deverá ter preparadas para dentro de um mês "medidas adicionais", se a correção do déficit não avançar ao ritmo adequado.

Entre essas medidas, os europeus já assinalaram um possível congelamento ou corte dos salários do setor público. O orçamento grego está, a partir de hoje, sob a vigilância estreita das autoridades comunitárias.

Segundo anunciou o novo comissário de Assuntos Econômicos e Monetários europeu, Olli Rehn, uma missão de especialistas da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional (FMI) viajará em questão de dias a Atenas.

Sob a pressão de Bruxelas, o Governo grego se comprometeu a reduzir o déficit público em 2010 dos atuais 12,75% para 8,7% do PIB, o que representa um corte surpreendente de quatro pontos percentuais.

Além disso, de acordo com o programa de estabilidade aprovado hoje pelo Ecofin, o déficit deverá ficar de novo em 2012 perto de 3% do PIB, como obrigam as regras fixadas para os países de moeda única.

O comissário confirmou ainda a abertura de um procedimento de infração contra a Grécia por ter manipulado suas estatísticas relativas ao estado das finanças públicas.

Igualmente, o escritório de estatística da UE (Eurostat) solicitou à Grécia informações sobre as operações com divisas e produtos derivados que, segundo especula-se, poderiam ter ajudado no passado o Tesouro grego a camuflar os verdadeiros números da dívida.

O assunto, segundo Rehn, "deve ser investigado em profundidade", a fim de comprovar se todas as regras da união econômica e monetária foram respeitadas.

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