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17/02/2010 - 12h34

Crise econômica faz diminuir ajuda a países pobres

EFE

Javier Alonso.

Paris, 17 fev (EFE).- A crise econômica mundial já causou impacto sobre a ajuda dos países mais ricos ao desenvolvimento, que em 2010 experimentará um aumento de 34% em relação aos números de 2004, embora vá ficar abaixo das promessas iniciais.

Este ano, US$ 107,401 bilhões procedentes dos países mais desenvolvidos serão disponibilizados na forma de ajuda aos mais desfavorecidos. A quantia, porém, é US$ 21 bilhões menor que a prometido há cinco anos.

O drástico corte foi notado, sobretudo, em alguns países europeus que, segundo os dados publicados hoje pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficarão este ano muito longe de cumprir suas generosas promessas.

Alemanha, França e Itália aplicarão uma nova redução na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD), e a situarão, respectivamente, em 0,40%, 0,46% e 0,20% do Produto Interno Bruto (PIB), contra os valores prometidos de 0,51%, 0,61% e 0,51%, alertou a OCDE.

O secretário-geral do "clube dos países ricos", Ángel Gurría, se referiu, sem citar nomes, a estes exemplos de Estados europeus que, em 2010, vão sentir o impacto da crise econômica nas quantias que doarão em conceito de ajuda oficial ao desenvolvimento.

Gurría pediu a esses países que reconsiderem seus planos de ajuda ao desenvolvimento. Mas reconheceu que, "quando uma pessoa reduz suas metas, o déficit (de ajuda) se acumula" e fica mais difícil tanto recuperar os níveis anteriores de ajuda como cumprir as promessas lançadas.

"As necessidades dos países mais pobres são agora maiores", advertiu o principal responsável da OCDE, que reconheceu que as promessas foram feitas há cinco anos, quando o mundo vivia uma fase de bonança econômica.

Gurría lembrou que "a ajuda é, em muitos casos, indispensável, e nos países mais pobres, fundamental". A respeito da África, afirmou que o continente sofrerá mais que nenhum outro, já que 2/3 da ajuda cancelada iria para o continente.

Além dos três países já citados que vão diminuir a ajuda ao desenvolvimento, farão o mesmo nações como Áustria (de 0,51% para 0,37%), Grécia (de 0,51% para 0,21%) e Portugal (de 0,51% para 0,34%), onde os necessidades internas são grandes.

A Espanha, segundo os dados da OCDE, aplicará uma redução menor, já que vai mantê-la em 0,51% de seu PIB, contra a previsão inicial de 0,59%.

Gurría também se referiu às consequências que a crise econômica está tendo nos países que eram receptores de mão-de-obra imigrante até o começo desta fase de recessão.

Especificamente, o secretário-geral da OCDE falou do caso do setor imobiliário espanhol e de como a redução na mão-de-obra empregada afeta imigrantes procedentes de países que recebem ajuda oficial ao desenvolvimento.

Os dados comunicados hoje pela OCDE também refletem uma redução da AOD em países não europeus também afetados pela crise, como o Japão, que este ano doará o equivalente 0,20% de seu PIB, contra a previsão inicial de 0,22%.

Um dos poucos países que realmente aumentará sua ajuda oficial ao desenvolvimento será os Estados Unidos, que, em dados líquidos, é o maior contribuinte mundial, com US$ 24,705 bilhões previstos para 2010, soma superior aos US$ 24 bilhões previstos há cinco anos.

A percentagem do PIB americano dedicado à ajuda ao desenvolvimento subirá assim para 0,20%, ficando dois décimos acima daquela prometida quando as perspectivas econômicas mundiais ainda eram positivas.

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