UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

20/02/2010 - 10h08

Jornais do Japão, velhos gigantes na busca de leitores jovens

EFE
Maribel Izcue.

Tóquio, 20 fev (EFE).- Graças à fidelidade de milhões de assinantes, os jornais do Japão superaram a crise melhor que os Estados Unidos e a Europa, mas, em plena era digital, buscam caminhos para atrair os leitores jovens.

O primeiro mercado editorial do planeta abriga os cinco jornais com maior tiragem mundial: o líder é o "Yomiuri" com 14 milhões de exemplares, mais do que vendem todos os jornais da Espanha juntos.

Um exército de mais de 417 mil jornaleiros saem às ruas todos os dias para entregar os jornais de 50,3 milhões de casas ao longo e largo do Japão (95% dos lares) em troca de uma comissão para cada exemplar, o que impulsiona frequentes campanhas para captar novos clientes.

O arraigado costume de assinaturas permitiu que as vendas dos jornais do Japão, que publicam edições matutina e vespertina, caíssem 6,3% na última década, contra 10,6% que perderam os Estados Unidos em só um ano.

O ponto frágil do sistema é a idade média dos leitores, que é de cerca de 60 anos, enquanto os mais jovens buscam as notícias na internet ou pelo celular.

No Japão, os usuários podem buscar as principais notícias do dia através do celular por uma cota que varia entre 100 a 300 ienes por mês (0,8 e 2,4 euro), enquanto a assinatura de um jornal tradicional custa ao redor de 4 mil ienes (32 euros).

"Por enquanto, permanece o modelo de assinatura, mas temos que buscar outros modelos. Estamos em processo de desenvolvimento de aplicações para os novos suportes tecnológicos", explicou à Agência Efe Shuji Yamamoto, porta-voz do segundo jornal do Japão, o "Mainichi".

Os celulares de última geração, o iPad, o eBook de Sony, o Kindle de Amazon, todos invadiram em pouco tempo o cenário midiático japonês, que trata de adaptar-se à situação sem renunciar ao velho modelo de papel.

O jornal econômico "Nikkei", que sofreu em 2009 suas primeiras perdas desde a Segunda Guerra Mundial pela queda da publicidade, optou por investir na internet para aumentar a receita.

O objetivo é que o leitor que assine a edição digital o faça também na impressa e consulte o jornal várias vezes ao dia e em diferentes formatos: de manhã em casa no papel, a caminho do trabalho pelo celular e no escritório pelo computador.

O "Nikkei" tentará chegar aos 100 mil assinantes nesses serviços no primeiro ano, embora considere "difícil que os lucros da versão digital possam cobrir a queda de receita da publicidade em papel", opinou Yamamoto.

Seu jornal, o "Mainichi", oferece desde o outubro um serviço de pagamento para ler o jornal e aceder a conteúdos digitais através do livro eletrônico Kindle, cada vez mais popular no Japão.

Já o segundo jornal nacional procura diminuir os efeitos da crise (que reduziu 30% a receita em publicidade desde 2007) com alianças com outros meios de imprensa, algo impensável no Japão há uma década.

Assim, em abril entrará em vigor um acordo sem precedentes entre o grupo "Mainichi" e a agência japonesa "Kyodo" para compartilhar informações e escritórios, o que permitirá ao jornal "dedicar-se a elaboração e análise da informação em maior profundidade", segundo Yamamoto.

O jornal procura, como muitos de seus concorrentes, motivar os mais jovens a lerem os jornais impressos com conversas sobre jornalismo nas escolas (só para este ano estão previstas 500) e suplementos de imprensa dirigidos às crianças.

As lentas mudanças na imprensa japonesa coincidem com a realização, em 2010, do Ano da Leitura no Japão, que o Governo declarou para manter vivo o costume de ler o jornal em papel entre a população cada vez mais entregue às novas tecnologias.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host