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05/03/2010 - 13h59

Sob protestos, Parlamento grego aprova novas medidas de austeridade

EFE
Adriana Flores Bórquez.

Atenas, 5 mar (EFE).- O Parlamento da Grécia aprovou hoje novas e controvertidas medidas de austeridade para tentar resolver a profunda crise econômica do país, em meio a grandes mobilizações de cidadãos que resistem a pagar pelos excessos orçamentários do passado.

O plano foi apoiado na Câmara pelo majoritário Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok) e prevê, entre outras medidas, cortes nos salários de funcionários públicos e nos gastos sociais, o congelamento das pensões, o aumento de impostos e a intensificação da luta contra a sonegação fiscal.

No total, o Governo grego quer economizar 4,8 bilhões de euros neste ano para reduzir o déficit público de 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 9%.

O ministro das Finanças, Giorgos Papakonstantinou, disse que a Grécia não terá que aplicar medidas de austeridade adicionais para fazer frente aos problemas econômicos do país.

"Não há necessidade de mais medidas com a aplicação deste plano. Estamos em uma batalha contra o relógio. Desta vez, convenceremos nossos parceiros de que dizemos a verdade", afirmou.

O Partido Comunista da Grécia (KKE) se retirou do debate parlamentar declarando "guerra" contra as medidas. "Seguiremos a luta nas ruas", advertiu a secretária-geral da legenda, Aleka Papariga.

Os principais sindicatos da Grécia responderam hoje às medidas de austeridade com uma nova greve parcial e com o anúncio de uma greve geral para o próximo dia 11.

Os serviços e o transporte público ficaram paralisados nesta sexta-feira ao longo do país. Os controladores aéreos se uniram ao protesto, levando a atrasos e cancelamentos de voos.

Além disso, os médicos voltaram a atender só casos de emergência nos hospitais públicos. As escolas permaneceram fechadas e os principais veículos de comunicação estão parados.

Milhares de manifestantes marcharam pelo centro de Atenas, convocados pelo sindicato comunista. Em algumas ruas, houve confrontos entre manifestantes radicais e a Polícia, que chegou a usar gás lacrimogêneo.

Em um dos confrontos, alguns manifestantes agrediram o presidente da Confederação Geral de Trabalhadores da Grécia (GSEE), Giannis Panagopoulos, quando este fazia um discurso no Parlamento de Atenas.

Segundo fontes parlamentares, Panagopoulos teve ferimentos leves e foi atendido na própria Câmara.

Em meio a toda esta tensão, o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, viajou hoje para Berlim para receber o apoio da chanceler alemã, Angela Merkel, às medidas de austeridade.

Ontem, os mercados já reagiram positivamente à emissão de bônus gregos para dez anos.

Segundo dados do banco britânico HSBC, 33% da emissão, de cinco bilhões de euros, foi adquirida por entidades alemãs e francesas, apenas 23% por investidores gregos e 8% por asiáticos.

No próximo domingo, Papandreou se reunirá com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Na terça-feira, ele viaja para os Estados Unidos, onde será recebido pelo presidente americano, Barack Obama.

Enquanto o GSEE e o sindicato do setor privado Adedy continuam com seus protestos, uma recente pesquisa aponta que 90% dos funcionários públicos rejeitam o corte de 12% dos pagamentos adicionais, mas 50% da população grega apoia a medida.

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