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11/03/2010 - 17h16

Nova queda-de-braço entre governo e sindicatos paralisa Grécia

EFE
Atenas, 11 mar (EFE).- A terceira greve geral contra o plano anunciado pelo Governo da Grécia em fevereiro para salvar a economia deixou o país sem transporte e sem serviços nesta quinta-feira, afetando as principais cidades.

A greve de 24 horas foi convocada pelos maiores sindicatos dos trabalhadores do país contra o plano de austeridade fiscal.

Cerca de 50 mil pessoas, segundo os sindicatos, e 15 mil, de acordo com a polícia, foram às ruas da capital Atenas convocadas por três grandes centrais de trabalhadores, um número modesto se for levado em conta o total de filiados (aproximadamente 500 mil).

"Não passarão (as medidas)", dizia um dos cartazes exibidos por manifestantes que viram o valor do pagamento de suas horas extras ser reduzido em 30%.

"Não vamos tolerar a perda de direitos salariais que temos há décadas", disseram hoje à Agência Efe líderes do principal sindicato dos trabalhadores, o Gsee.

"Queremos trabalho e futuro", lia-se em outro cartaz dos estudantes de colégios técnicos, perante a ameaça crescente de desemprego, e em outro podia ser lido: "Que a crise seja paga pelos que a causaram... a plutocracia".

Durante os protestos de hoje, que aconteceram em frente ao Parlamento, houve confrontos entre grupos radicais e policiais.

Várias agências bancárias, lojas e fachadas de hotéis foram danificadas pelos ataques de um grupo de 200 pessoas encapuzadas, que enfrentou a polícia com pedras e fogos de artifício.

Os agentes responderam com o lançamento de gás lacrimogêneo e detiveram pelo menos 20 manifestantes.

Desde as primeiras horas da manhã, as ruas centrais da capital grega ficaram cheias de veículos privados e táxis, pois todo o transporte público está parado. Apenas o trem de superfície funcionou, mas por poucas horas.

Todos os aeroportos, incluindo o internacional de Atenas, permanecem fechados desde a meia-noite (horário local), o que causou o cancelamento de centenas de voos e a modificação dos horários de diversos outros, por conta da participação dos controladores aéreos nos protestos.

Os navios e os serviços de trens estão parados, os hospitais e os serviços de administração de luz, telefonia e água funcionam com pessoal de emergência. Inúmeras agências bancárias trabalham com efetivo reduzido e as escolas foram fechadas.

Também não abriram hoje os escritórios de serviços estatais, enquanto os veículos de informação transmitem apenas músicas e programas de entretenimento, já que os jornalistas também aderiram à greve.

Os sindicatos protestam contra cortes nos salários dos trabalhadores e o aumento de impostos decidido pelo Governo grego para economizar 4,8 bilhões de euros, buscando reduzir ainda neste ano o déficit em 4%, para deixá-lo em 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

As medidas de adotadas pelo Executivo do primeiro-ministro Yorgos Papandreu, foram aprovadas pela Comissão Europeia, que supervisiona estreitamente seu cumprimento para que o país se salve da falência.

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