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12/03/2010 - 04h13

Apenas 18% da população do México vive sem carência

EFE
México, 11 mar (EFE).- Só o 18,3% dos 107 milhões de mexicanos vive sem carências ou vulnerabilidade perante a pobreza, informou hoje o Conselho Nacional de Avaliação da Política Social (Coneval, pela sigla em espanhol), explicando que há 47,2 milhões de pobres e 35 milhões de pessoas "vulneráveis a sofrer carências" no país.

"O México é um país claramente desigual, historicamente sempre foi, há poucas pessoas com muitos recursos", disse à agência Efe o secretário-executivo do Conselho, Gonzalo Hernández Licona.

Segundo o organismo, só há 19,5 milhões de pessoas sem carências em algum dos aspectos que indicam pobreza (moradia, alimentação, renda, saúde, educação e seguridade social) e um nível adequado de bem-estar econômico.

Estimativas de analistas financeiros em 2008 apontavam que 39 famílias mexicanas controlavam uma fortuna de US$ 135 bilhões, 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

De acordo com as últimas medições - cuja metodologia foi mudada em relação às anteriores para incluir mais variáveis -, no México há 47,2 milhões de pobres, além de 35 milhões de pessoas perto de sofrer estas carências. A linha da pobreza é de 2.115 pesos (aproximadamente US$ 168).

Hernández Licona considerou "muito provável" um aumento da pobreza quando houver os dados referentes ao período de 2008 a 2010. Entre 1996 e 2006, a pobreza desceu de 68% a 42% no México, mas o valor subiu para 47% 2006 a 2008.

O aumento foi devido à alta dos preços dos alimentos e ao impacto da crise global.

A desigualdade social afeta sobretudo grupos vulneráveis à discriminação, como mulheres e indígenas. No caso destes últimos, que oficialmente são cerca de 10% da população, três em cada quatro são pobres.

O fato de o magnata mexicano Carlos Slim ter sido declarado o homem mais rico do mundo na lista de milionários divulgada esta semana pela revista "Forbes" é um indicador da desigualdade do país, segundo Lincona.

"Não duvidamos de sua habilidade para os negócios e inteligência, mas isso mostra que para a maioria dos mexicanos a entrada de receitas é desigual", expressou.

A riqueza de Slim está avaliada em US$ 53,5 bilhões. Na lista há outros nove mexicanos - incluindo o narcotraficante Joaquín Guzmán, capo do cartel de drogas de Sinaloa. No total, as fortunas dos nove somam cerca de US$ 90 bilhões, pouco menos de 10% do PIB do México.

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