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12/03/2010 - 15h57

Brown e Sarkozy anunciam acordo sobre regulação dos mercados

EFE
Londres, 12 mar (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciaram hoje que se trata de uma questão de dias até que os governos cheguem a um acordo sobre a futura regulação dos mercados financeiros na União Europeia (UE).

"Podemos chegar a uma solução para esse assunto nos próximos dias", disse Brown em referência ao estabelecimento de regras comunitárias para a regulação dos fundos de alto risco (hedge funds) e os fundos de capital de risco, assim como para incentivar a imposição de uma taxa global aos bancos.

Os governantes falaram à imprensa após se reunirem no número 10 de Downing Street (residência oficial do primeiro-ministro britânico) e destacaram o fortalecimento da relação bilateral entre Londres e Paris.

Sarkozy explicou que os dois países estão trabalhando em conjunto para "tentar encontrar um ponto de equilíbrio que permita regular e garantir a transparência, evitar os riscos do sistema e garantir que a City (o centro financeiro de Londres), um ativo principal para a Europa, não se sinta ameaçada ou danificada".

No entanto, o líder francês reconheceu que eles ainda não encontraram uma fórmula que agrade a todos.

Brown, que fez da necessidade de propiciar um maior controle das transações financeiras um dos eixos centrais de sua política econômica após a crise de 2008, destacou que a futura regulamentação deverá atender a dois princípios fundamentais.

Por um lado, deverá "proteger os interesses gerados pelo setor dos serviços financeiros" e, por outro, a futura prosperidade da City, um dos principais pulmões econômicos do Reino Unido e, por extensão, da UE.

No terreno político, Sarkozy considerou essencial o envolvimento do Reino Unido na tomada de decisões dos 27 membros da comunidade européia e ressaltou a fortaleza das relações franco-britânicas.

O presidente francês lembrou que não viajou a Londres para falar da política interna do Reino Unido, uma vez que faltam poucas semanas para os cidadãos britânicos irem às urnas, mas insistiu na necessidade de um Governo britânico "europeísta".

"Continuo a acreditar que a posição de nossos amigos britânicos está no centro da Europa. Precisamos deles", disse Sarkozy. Ele lamentou a decisão tomada pelos conservadores britânicos no ano passado, liderados por David Cameron, de sair do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE) para se unir a grupos euro-céticos.

Antes de abandonar a capital britânica, Sarkozy também se encontrou com Cameron, em sua primeira reunião desde 2008.

Nas últimas semanas, o Partido Conservador britânico tentou mostrar uma feição menos euro-cética. A idéia é assegurar que, caso ganhe as eleições gerais, que serão realizadas antes do dia 3 de junho, não voltará às batalhas travadas pelos Governos conservadores contra Bruxelas nos anos 1980 e 1990.

O responsável pelas Relações Exteriores do Partido Conservador, William Hague, afirmou nesta quarta-feira que a legenda incentivará o Reino Unido a desempenhar "um papel de liderança" na União Europeia (UE).

Em uma tentativa de tranquilizar os Governos de outras capitais européias, Hague assegurou que eles desenvolverão energicamente as relações com o restante dos membros da comunidade européia. O partido está convicto de que a UE é, obviamente, uma instituição de enorme importância para o Reino Unido e sua política externa.

Brown evitou falar sobre a política dos conservadores com relação a Bruxelas e se limitou a assinalar que as relações entre Londres e Paris atravessam seu melhor momento desde a Segunda Guerra Mundial.

"A fortaleza de nossa relação, e da relação entre nossos países, é que estamos trabalhando mais em acordo do que nunca sobre os principais desafios enfrentados pelo mundo", manifestou o líder trabalhista britânico, que usou como exemplo o acordo bilateral para renovar a cooperação em assuntos nucleares.

Os governantes também coincidiram na crítica ao governo americano, acusado de favorecer uma empresa nacional (Boeing) na obtenção de um contrato multimilionário com a Força Aérea, em detrimento de um consórcio europeu.

Nas palavras do presidente francês, "esta não é a maneira correta dos Estados Unidos tratarem seus aliados europeus. Se eles querem ser os líderes da luta contra o protecionismo, não deveriam fazer isso".

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