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19/03/2010 - 20h09

BID quer reduzir pela metade mortes em acidentes de trânsito na A.Latina

EFE
Juan David Leal.

Cancún (México), 19 mar (EFE).- O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apresentou hoje uma ambiciosa iniciativa de segurança viária com a qual procura, em um período de 10 anos, reduzir pela metade as 120 mil mortes anuais provocadas pelos acidentes de trânsito na América Latina.

Atualmente, a América Latina e o Caribe têm uma taxa de 17 mortes por cada 100 mil pessoas em percursos viários, quase o dobro da média mundial, e, segundo cálculos do BID, se a tendência continuar as mortes poderiam chegar a 31 por cada 100 mil para o ano 2020, a maior taxa do planeta.

Este tipo de acidentes é a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a segunda para aqueles de entre 5 e 14, e para alguns países representa uma despesa de entre 1% e 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

"Os cidadãos tomam precauções e evitam situações de perigo como entrar em lugares escuros e solitários, onde existe risco de assalto e roubo, mas existe uma ameaça mais real e imediata em nossas vidas cotidianas, que abate milhares de vidas todos os anos e à qual não prestamos suficiente atenção", disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno.

"Na região, o cidadão médio ainda não tomou consciência sobre o risco que representa atravessar a pé uma via transitada, circular sem cinto de segurança, dirigir sob efeitos do álcool, viajar em um carro em mau estado, ou montar em uma motocicleta sem capacete", destacou Moreno, dentro da Assembleia Anual de governadores do BID, que começou hoje na cidade de Cancún (México).

O funcionário criticou que os Governos da região não tenham realizado "um trabalho adequado para tornar as ruas e estradas lugares mais seguros".

"A iniciativa do BID, denominada 'Faça sua parte: Vias seguras para todos' apoiará a aplicação e cumprimento de medidas preventivas como a melhora da segurança viária, das infraestruturas, as imposições obrigatórias da revisão técnica dos veículos e o estabelecimento de limites de velocidade e de taxas máximas de álcool, entre outras," disse.

Por sua vez, Karla González, encarregada do projeto de segurança viária do BID, explicou em declarações à Agência Efe que o banco aprovou um orçamento inicial de US$ 90 milhões para as primeiras fases do plano, que conta com o apoio de personalidades como o piloto de Fórmula 1 Felipe Massa.

Em primeiro lugar, o banco assinou um contrato com o Programa Internacional de Avaliação de Estradas (Irap, na sigla em inglês) que realizará uma avaliação do "corredor Pacífico", uma estrada que atravessa o território compreendido entre México e Panamá, e pela qual se transporta 95% da carga terrestre na América Central.

Além disso, com a Fundação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o BID desenvolverá um programa para avaliar a segurança de alguns dos carros mais populares vendidos na América Latina, similar à iniciativa do European New Car Assessment Programme (Euro NCAP) na Europa.

Junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência procura também criar um observatório que recolha dados sobre acidentes de trânsito e mortes, e promova estudos sobre as políticas e práticas mais eficientes para melhorar a segurança viária.

Além disso, o organismo trabalhará em campanhas de educação e de fornecimento de capacetes entre jovens, e estabelecerá alianças com universidades, associações civis e o setor privado para impulsionar seu projeto.

O BID, que empresta a cada ano entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões para projetos viários, "vai continuar incluindo critérios de segurança viária para todos os projetos de infraestrutura e transporte nos quais participe", disse Moreno.

A instituição regional já começou a trabalhar no Paraguai, Chile, México, Colômbia e países centro-americanos para alcançar seu objetivo de salvar as vidas de 60 mil latino-americanos a cada ano.

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