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25/03/2010 - 11h53

BCE alivia situação grega ao anunciar que continuará aceitando bônus do país

EFE
Bruxelas, 25 mar (EFE).- O Banco Central Europeu (BCE) enviou hoje boas notícias à abalada economia grega ao anunciar que prolongará para além deste ano as medidas extraordinárias pelas quais agora aceita como garantia para empréstimos toda dívida com classificação superior a "BBB-".

O anúncio - feito pelo presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, no Parlamento Europeu (PE) - chega em pleno debate na União Europeia (UE) sobre um possível instrumento para apoiar a Grécia caso suas finanças públicas tenham necessidade.

"O Conselho do BCE pretende manter o nível mínimo de BBB- para depois de 2010", assinalou Trichet, no que se interpreta como uma medida destinada a não agravar mais a situação na Grécia, especialmente.

Até a explosão da crise financeira, o BCE aceitava habitualmente a dívida estatal como garantia para emprestar efetivo aos bancos comerciais quando ela tivesse no mínimo uma classificação "A" por parte das agências.

Por causa da crise e do bloqueio do mercado de créditos interbancário que provocou, a instituição decidiu flexibilizar essas regras e aceitar bônus com classificações inferiores.

No entanto, até agora, o BCE tinha assegurado que essas medidas de emergência terminariam em 2010, o que poderia ter significado um duro golpe para países que, como a Grécia, tiveram rebaixada a classificação de sua dívida.

A Grécia corria o risco de que seus bônus deixassem de ser aceitos pelo BCE a partir do fim deste ano, o que poderia representar uma crise de liquidez em um país que iniciou um duro plano de corte de gastos para reduzir seu alto déficit público.

Em entrevista coletiva separada, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, recebeu com entusiasmo a iniciativa do BCE e assegurou que a autoridade monetária tinha atuado "com total independência".

Trichet ressaltou hoje que o BCE considera que o plano de ajuste impulsionado pelo Governo de Yorgos Papandreu é "convincente e valente". Sem citar a Grécia, ele pediu aos países da zona do euro a tomarem medidas "resolvidas" e entre "todos" para garantir a estabilidade da moeda única.

A possibilidade de aprovação durante a cúpula de chefes de Estado e de Governo da UE que começa hoje em Bruxelas um mecanismo de assistência à Grécia divide opiniões entre os países do bloco. A Alemanha é o país mais reticente a garantir esse apoio reivindicado de forma insistente da Comissão Europeia.

Hoje, também no Parlamento Europeu, o comissário de Assuntos Econômicos da UE, Olli Rehn, voltou a insistir nessa ideia. Ele pediu uma decisão entre hoje e amanhã para salvaguardar a estabilidade da Grécia e do euro em seu conjunto.

Trichet compareceu ao Parlamento por ocasião do voto dos deputados comunitários sobre o trabalho do BCE em 2008 e sobre a situação das finanças públicas na Europa como consequência da crise.

No debate, o líder do BCE ressaltou que, apesar da recuperação, "a crise ainda não terminou" e advertiu que podem surgir "obstáculos".

Além disso, ele considerou que o ritmo da recuperação será "desigual" na Europa e que podem ocorrer "recaídas".

Em relação à política monetária, considerou que hoje ela é a "adequada", dando a entender que não se esperam mudanças nas taxas de juros.

Além disso, Trichet defendeu uma regulação mais estrita de produtos financeiros como os chamados hedge funds (fundos de alto risco) e pediu, no marco da reforma do sistema de supervisão das finanças realizadas pela UE, que se preste atenção também às instituições financeiras que não são bancos.

Os deputados do PE deram hoje o sinal verde por grande maioria à nomeação do português, Vitor Constancio, como vice-presidente do BCE.

Constancio, que esta semana se submeteu às perguntas dos deputados da comissão de Assuntos Econômicos do PE, preside o Banco de Portugal desde 2000.

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