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25/03/2010 - 13h59

Brasil terá déficit externo recorde este ano

Brasília, 25 mar (EFE).- O Brasil fechará este ano com um déficit recorde em sua conta corrente de US$ 60 bilhões, que, no entanto, será inferior aos US$ 64 bilhões previstos inicialmente, segundo uma projeção divulgada hoje pelo Banco Central (BC).

O saldo negativo nas transações correntes, ou seja, a diferença entre os recursos que o Brasil envia ao exterior e os que recebe de outros países, será superior ao registrado em 2010, que foi de US$ 47,518 bilhões, até agora o maior registrado pelo país.

O BC melhorou sua projeção para este déficit após concluir que, apesar das remessas das empresas ao exterior e as despesas dos brasileiros fora do país se manterão elevados, o superávit comercial será melhor do que o previsto.

A autoridade monetária calcula que o superávit comercial será de US$ 15 bilhões, em vez dos US$ 11 bilhões previstos no início de ano.

"As exportações estão registrando um bom desempenho graças a que os preços em alta das matérias-primas têm um impacto importante", assinalou o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.

No entanto, a projeção para as remessas de lucro e dividendos das empresas este ano subiu de US$ 33 bilhões para US$ 34 bilhões, e a das despesas dos brasileiros em viagens no exterior foi mantida em US$ 12 bilhões.

O organismo prevê, igualmente, que o investimento estrangeiro direto este ano será muito superior ao esperado, o que permitirá financiar grande parte do déficit externo.

Segundo o BC, os estrangeiros investiram no primeiro bimestre deste ano US$ 10,683 bilhões em projetos produtivos no Brasil, três vezes mais que os US$ 3,449 bilhões do mesmo período de 2010.

Após esse resultado, o Banco Central subiu de US$ 45 bilhões para US$ 55 bilhões sua projeção para o investimento estrangeiro direto este ano, valor que, se for confirmado, superará o recorde do ano passado, de US$ 48,462 bilhões.

Segundo os dados divulgados pelo BC, o Brasil registrou no primeiro bimestre um déficit em conta corrente de US$ 8,8 bilhões, que foi financiado com o investimento estrangeiro direto no valor de US$ 10,683 bilhões no mesmo período.

Ao déficit do primeiro bimestre contribuiu especialmente o salto das despesas dos turistas brasileiros no exterior, que chegou ao recorde de US$ 3,070 bilhões, 38,5% superior ao dos dois primeiros meses do ano passado.

Como as despesas dos brasileiros fora do país já tinham sido recorde no ano passado, quando somaram US$ 16,4 bilhões, o Governo estuda a possibilidade de aumentar os impostos às compras com cartões de crédito no exterior.

O BC considera que a deterioração de sua conta corrente este ano será causado principalmente pelo aumento das remessas de benefícios e dividendos das empresas estrangeiras para o exterior e pelo forte aumento das importações como consequência da apreciação do real frente ao dólar.
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