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26/03/2010 - 15h43

Crise grega facilita primeiro ensaio de um Governo econômico europeu

EFE
José Manuel Sanz.

Bruxelas, 26 mar (EFE).- Os líderes da União Europeia (UE) fizeram o primeiro ensaio de um Governo econômico europeu, empurrados pela grave crise financeira na Grécia e pela pressão dos mercados.

A cúpula de primavera (hemisfério norte) da UE, que desde o ano 2000 tem um caráter fundamentalmente econômico, reafirmou desta vez a sua vontade de avançar em direção a uma maior coordenação em todos os âmbitos da organização política, e não só no orçamentário.

A ideia essencial do Conselho Europeu, realizado ontem e hoje em Bruxelas, foi a da "união em direção a uma governança econômica dos 27", o que constitui "um salto transcendental", segundo o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

O presidente permanente da UE, o belga Herman Van Rompuy, propôs que os governantes abordem pela primeira vez as diferenças de competitividade dentro do bloco, uma questão delicada que anuncia debates acalorados.

O ex-presidente do Governo espanhol Felipe González, que ontem à noite apresentou as primeiras conclusões dos trabalhos do grupo de estudiosos que dirige, apoiou a ideia de fazer os primeiros-ministros pensarem na economia geral da UE.

Neste momento, a economia da Europa não está com um aspecto muito saudável.

Como reconhecem os próprios líderes, nos últimos dois anos "enfrentou-se a pior crise econômica desde 1930, que teve como efeito investir em grande medida nos avanços conseguidos desde o ano 2000".

Nessa data, em um momento de euforia, os 15 membros da então UE fixaram como objetivo transformar a organização, em 2010, na economia mais competitiva e tecnológica do mundo, com pleno emprego e um alto nível de proteção do meio ambiente.

Ao fim do prazo, a realidade não poderia ter sido mais decepcionante. "Encontramo-nos frente a níveis excessivos de endividamento, um crescimento estrutural lento e elevados índices de desemprego", lamenta o documento final da cúpula.

Após semanas de incerteza e sondagens internas, os 16 Governos da zona do euro entraram em acordo ontem sobre um mecanismo extraordinário de assistência financeira à Grécia para o caso de o Tesouro grego não conseguir obter mais crédito no mercado.

O colapso das finanças públicas gregas é uma prova humilhante de que a união monetária europeia nasceu coxa há 11 anos, sem ferramentas de auxílio para situações de insolvência e com regras pouco críveis de disciplina fiscal.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse hoje que a França e a Alemanha impulsionarão uma revisão urgente dessas regras, a fim de evitar que o drama grego se repita.

Paris e Berlim, os mesmos que em 2003 não duvidaram em cercear o Pacto de estabilidade quando a ameaça real de sanções passou por eles, agora são os que mais defendem o endurecimento das regras.

Apesar de todas as dificuldades, o presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, se mostrou satisfeito com os resultados da cúpula, porque os líderes comunitários souberam "responder às necessidades do momento e se preparar para os desafios do futuro".

A necessidade urgente era demonstrar aos mercados que não se deixará a Grécia ir à falência, e a preparação para que o futuro consista na aprovação de uma nova estratégia de reformas econômicas para o período 2010-2020.

Nas palavras de Van Rompuy, a estratégia "Europa 2020" não é mais a tentativa de sentar as bases de "uma economia forte que leve em conta as exigências ambientais e sociais". "É o que queremos oferecer aos nossos descendentes e ao resto do mundo", um modelo de crescimento inteligente, verde e integrador.

Mas os líderes europeus ainda tem que trabalhar muito para definir os parâmetros que devem permitir medir esses avanços.

Os 27 países do bloco optaram por passar para junho a definição dos objetivos em matéria de educação e integração social, dois âmbitos nos quais alguns questionam inclusive a competência e a legitimidade da UE para legislar.

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