UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

02/04/2010 - 14h14

EUA criam empregos em março, mas desemprego continua alto

EFE
Washington, 2 abr (EFE).- Um total de 162 mil empregos foram criados nos Estados Unidos em março, o número mais alto nos últimos três anos, mas o índice de desemprego se manteve em 9,7%, informou hoje o Departamento de Trabalho.

A criação de postos de trabalho foi impulsionada por trabalhos temporários e pelo setor de saúde, enquanto a perda de emprego foi liderada pelo setor financeiro e de comunicação.

Especialistas coincidiram em apontar que o panorama de março é um sinal positivo, mas ainda não é suficiente para que a criação de postos de trabalho seja sustentada.

A maioria dos analistas tinha previsto a manutenção da taxa de desemprego em 9,7% e a criação de 200 mil postos de trabalho.

No setor público, o relatório destaca os 48 mil empregados temporários que o Governo americano contratou para o censo deste ano.

O setor privado gerou 123 mil empregos, o número mais alto desde maio de 2007.

O setor manufatureiro ganhou 17 mil empregos em março, enquanto a construção civil criou 15 mil vagas depois de perder 72 mil durante os últimos 12 meses.

O número total de desempregados nos EUA supera a casa dos 15 milhões, dos quais 6,5 milhões (44,1%) são considerados desempregados de longa duração, ou seja, aqueles que estão sem emprego há 27 semanas ou mais.

Desde o começo da recessão, em 2007, a economia americana perdeu 8,4 milhões de empregos.

Do total da força de trabalho, 10% dos homens e 8% das mulheres estão sem emprego. Por raça, os brancos têm uma taxa de desemprego de 8,8%; os afro-americanos, 16,5%; os hispânicos, 12,6%; e os asiáticos, 7,5%.

O departamento de Trabalho revisou os dados do mês anterior, nos quais a taxa de desemprego foi de 9,7% e houve uma perda líquida de 14 mil postos de trabalho e não de 36 mil, como havia sido comunicado anteriormente.

Na quinta-feira, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse em entrevista ao canal de televisão "NBC" que "a economia está crescendo" e previu a criação de novos postos de trabalho.

No entanto, Geithner considerou que "a taxa de desemprego continua sendo terrivelmente alta e se manterá inaceitavelmente alta durante um longo período de tempo".

A secretária de Trabalho americana, Hilda Solís, declarou em entrevista coletiva que "o crescimento de emprego este mês é um sinal animador, mas ainda temos mais trabalho por fazer".

Solís afirmou que estes números "mostram que foram dados os passos necessários no último ano para colocar a economia americana nos trilhos", como o plano de recuperação econômica.

No entanto, disse que seu departamento continua preocupado com quem procura emprego há mais de seis meses, e se comprometeu a continuar criando postos de trabalho em áreas como saúde e energias limpas.

A presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Cristina Romer, disse que estas "notícias animadoras" mostram uma "recuperação gradual" do mercado de trabalho.

Segundo Romer, "será necessário um crescimento firme e sustentado do emprego para diminuir o índice de desemprego" e tomar ações para estimular a criação do emprego no setor privado que "assegure uma recuperação mais rápida e ampla".

O líder da minoria republicana na Câmara de Representantes, John Boehner, afirmou que "uma taxa de desemprego de perto de 10% é completamente inaceitável".

"Nenhuma quantidade de trabalhadores temporários do censo financiado pelos contribuintes pode mascarar" as ações do Executivo americano, ao qual acusou de "estrangular" as empresas com impostos para pagar a recém aprovada reforma na saúde e gastar o dinheiro dos contribuintes nos planos de resgate da economia.

A economista do Economic Policy Institute, Heidi Shierholz, sustentou que o relatório reflete uma "clara melhoria" da economia americana, mas ressaltou que "se faz necessário um crescimento muito mais robusto do emprego, durante um período sustentado de tempo, para reduzir significativamente o desemprego".

Segundo Shierholz, o setor privado "ainda não está em condições de criar um número suficiente de postos de trabalho" e, por isso, "ainda há uma necessidade urgente de políticas agressivas para criar empregos".

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host