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05/04/2010 - 15h09

Equipes de socorro resgatam 115 trabalhadores em mina na China

EFE
Pequim, 5 abr (EFE).- Equipes de resgate retiraram hoje 115 trabalhadores de uma mina no norte da China, onde estavam presos há nove dias após a inundação do local, um tipo de acidente cada vez mais comum no país.

No entanto, continuam presos na mina outros 38 trabalhadores, sobre os quais não foram divulgados mais detalhes.

A imprensa local assegurou que a maioria dos sobreviventes, internados em cinco hospitais locais, se encontra em condição estável.

"É um milagre na história dos resgates de trabalhadores de minas da China", exclamou Luo Lin, chefe da Administração Estatal de Segurança Laboral, que foi ao campo de exploração para supervisionar os trabalhos de resgate.

"Que fantástico é estar na superfície de novo", declarou à agência oficial "Xinhua" um trabalhador resgatado da mina.

No dia 28 de março, a mina de Wangjialing Coal Mine, na província de Shanxi e próximo à cidade de Linfen, sofreu uma inundação que deixou presos 153 dos 261 trabalhadores que estavam dentro do local.

"Os métodos tanto científicos como tecnológicos utilizados no resgate garantiram que eles fossem resgatados com vida depois de ficarem presos debaixo da terra durante uma semana", declarou o secretário do Comitê Provincial do Partido Comunista da China (PCCh), Zhang Baoshun.

Além disso, uma equipe médica - formada por vários integrantes com experiência em desastres como os terremotos de Sichuan e Haiti - colabora com os serviços de emergência que continuam extraindo os sobreviventes da mina, agasalhados com mantas e com os olhos vendados para amenizar a fotofobia.

Na sexta-feira passada, cinco dias depois do acidente, as equipes de emergência ouviram batidas regulares em canos de aço, procedentes das profundezas da mina.

Os bombeiros responderam com mais batidas nos canos. Por meio de cabos, elas enviaram às profundezas 300 bolsas de glicose e outros alimentos.

Quando içaram os arames, acharam enganchada uma peça metálica elétrica, que penduraram os sobreviventes.

Trabalhando sem descanso, os mais de 3 mil bombeiros conseguiram diminuir o nível da inundação em 2,6 metros e extrair de dentro da mina quase 60 mil metros cúbicos de água.

O campo de exploração, com aproximadamente 180 quilômetros quadrados e ainda em construção, é propriedade da firma estatal Huajin Coking Coal Co. Calcula-se que há em seu interior mais de 2,3 bilhões de toneladas de carvão.

As minas chinesas são as mais perigosas do mundo devido à precariedade de seus métodos de segurança e à sobreexploração de muitas delas, principalmente no inverno, quando aumenta a demanda de carvão para calefação em todo o país.

Hoje mesmo, a imprensa local informou que a explosão de outra mina na quarta-feira passada, na província central de Henan, causou a morte de 28 pessoas, enquanto 16 ainda permanecem presas.

Após uma série de acidentes em minas nos últimos dias no país, o Governo chinês anunciou o início a partir do mês que vem de uma campanha em nível nacional para certificar a segurança laboral nas indústrias potencialmente perigosas.

As inspeções, previstas para durar dois meses, incluirá tanto a auto-avaliação das próprias empresas, às que se dará a ocasião de melhorar seus sistemas de Motu Próprio, como as inspeções públicas e oficiais, que fiscalizarão as medidas posteriormente.

Segundo dados oficiais, em 2009 morreram 2.631 trabalhadores em minas, o que significa uma queda de 18% em relação a 2008. A China lidera a classificação mundial de acidentes de trabalho com mais de 10 mil mortos por ano.

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