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06/04/2010 - 14h58

EUA dizem ter decidido caminho negociado com Brasil em disputa comercial

EFE
Washington, 6 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos anunciou hoje que definiu uma via negociada para resolver a disputa comercial sobre o algodão com o Brasil e confirmou as concessões realizadas ao país para evitar a imposição de sanções.

O representante de Comércio Exterior dos EUA, Ron Kirk, demonstrou satisfação com o avanço das negociações depois que o Brasil anunciou na segunda-feira o adiamento da entrada em vigor das taxas extras sobre produtos americanos.

"Agora temos um caminho claro pelo frente", disse Kirk em comunicado.

Na quarta-feira, o Brasil poderia ter começado a aplicar tarifas adicionais sobre cosméticos, alimentos, automóveis, eletrodomésticos e outros produtos americanos no valor anual de US$ 829 milhões ao ano, uma medida autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os EUA conseguiram evitar as sanções após fazer concessões ao Brasil.

A primeira é criar um fundo de US$ 147,3 milhões para dar assistência técnica à indústria brasileira de algodão o qual operaria até que o Congresso americano suspenda os subsídios ou haja um acordo final sobre a disputa com o Brasil, explicou o Governo dos EUA.

Os EUA também se comprometeram a modificar seu programa de garantias de crédito para exportação, algo que ainda será negociado com o Brasil.

Por fim, os EUA declararão no próximo dia 16 o estado de Santa Catarina livre de febre aftosa e de outras doenças do gado, ao passo que terminará um estudo sobre se aceita a importação de carne bovina fresca do Brasil.

Depois desses passos, EUA e Brasil negociarão os assuntos de fundo do conflito comercial "com o objetivo de entrar em acordo em junho sobre um processo que nos permita alcançar uma solução aceitável para ambas as partes na disputa do algodão", diz o comunicado americano.

Em agosto, a OMC autorizou o Brasil a aplicar sanções comerciais contra os EUA.

Na segunda-feira, o Brasil anunciou o adiamento das sanções até 22 de abril. Depois disso, acordaria uma nova prorrogação de 60 dias caso as negociações com os EUA avancem.

O secretário de Agricultura americano, Tom Vilsack, enfatizou hoje que as negociações com o Brasil respeitam as atribuições do Legislativo dos EUA, que até agora se negou a eliminar os subsídios à exportação de algodão.

"Estou desejando trabalhar com o Congresso e com o Brasil para alcançar uma solução de longo prazo aceitável pelas duas partes", indicou Vilsack.

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