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06/04/2010 - 15h05

RSF denuncia censura imposta à imprensa no caso de Anat Kam

EFE
Paris, 6 abr (EFE).- A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou hoje a "censura absurda" imposta aos meios de comunicação israelenses sobre o caso da jornalista Anat Kam, que está sob prisão domiciliar desde dezembro de 2009 por traição e espionagem.

"Pedimos que se levante a proibição aos meios israelenses de tratar o caso de Anat Kam. A defesa da segurança nacional é um objetivo legítimo, mas a censura não pode ser utilizada para impedir prestar contas em caso de violação da lei", afirmou RSF em comunicado.

A organização de defesa da liberdade de imprensa criticou a decisão da justiça israelense que proíbe aos meios de imprensa tratar o caso deste jornalista colaborador do lugar de informação Walla e suspeita de ter transmitido um jornalista do jornal "Ha'aretz" documentos confidenciais que, segundo a acusação, copiou quando fazia o serviço militar.

Como quase todas as jovens israelenses, Kam, que atualmente tem 23 anos, cumpriu o serviço militar obrigatório de 24 meses ao cumprir os 18, e fez-o no escritório de um dos generais do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Segundo informações de ONGs israelenses de esquerda recolhidas pela imprensa internacional, a jovem jornalista foi detida pelo serviço de segurança interior, o Shabak, mas sua detenção só se conheceu semanas depois quando um juiz a pôs sob prisão domiciliar.

A acusação acusa de ter desvelado informação confidencial que passou por suas mãos quando trabalhava para o alto comando, entre outras, sobre supostas irregularidades na aplicação da política de assassinatos seletivos que Israel praticava há anos com milicianos e dirigentes políticos das milícias palestinas.

Uma das informações supostamente facilitadas por Kam que foram utilizadas por "Ha'aretz" indicava que o Exército teria violado disposições judiciais que só se aplicasse essa política no caso que os militantes não pudessem ser detidos.

Baseado nas informações supostamente facilitadas por Kam, o diário denunciou que essa disposição judicial não foi respeitada no assassinato seletivo de três milicianos palestinos na Cisjordânia em 2007.

O segredo de sumário foi imposto por um juiz de Tel Aviv a pedido do Shabak, apesar às reiteradas protestos dos meios de imprensa israelenses que nos últimos dias decidiram plantar cara à censura divulgando sátiras e artigos sobre o caso sem oferecer os detalhes comprometedores.

Para RSF, a decisão judicial "ameaça incitar a numerosos jornalistas à auto censura" quando tratem assuntos relacionados com o Exército, o que constitui um "reflexo potencialmente perigoso para a liberdade de expressão".

A organização lembrou que a decisão não faz sentido na medida em que os meios de imprensa internacionais trataram o assunto.

Kam enfrenta uma condenação de até 14 anos de prisão em processo judicial que começará o próximo dia 14.

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