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09/04/2010 - 15h29

Irã desafia comunidade internacional com novas centrífugas

EFE
Teerã, 9 abr (EFE).- O Irã anunciou hoje o projeto e fabricação de uma terceira geração de centrífugas de enriquecimento de urânio, em um novo desafio à comunidade internacional por parte do regime de Teerã.

O presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, inaugurou hoje mesmo a fabricação desta terceira geração de centrífugas, seis vezes mais rápidas que a primeira geração.

Ahmadinejad afirmou que na tecnologia nuclear seu país chegou a um lugar onde nenhuma potência pode impedir seu desenvolvimento.

O presidente iraniano fez esta declaração durante o ato de comemoração do "Dia Nacional da Energia Atômica" em Teerã, no qual foram apresentadas as maquetes da terceira geração de centrífugas.

"Devemos colocar nas instalações de Natanz (no centro do Irã) 60 mil centrífugas, cujo produto de um ano serviria para abastecer uma usina nuclear, mas com esta nova geração podemos abastecer seis centrais", disse Ahmadinejad durante o ato, transmitido ao vivo pela televisão pública.

O presidente iraniano felicitou os iranianos e todos os povos do mundo por esta conquista e disse que se trata de um sucesso não só para o Irã mas para todo o mundo.

Ahmadinejad acrescentou que, com o projeto desta nova geração de centrífugas, o Irã já não precisa construir novas instalações para o enriquecimento de urânio além das de Natanz.

"O caminho do povo iraniano é hoje um caminho irreversível e chegou a um ponto onde nenhuma potência pode impedir seu desenvolvimento nuclear", acrescentou.

O ultraconservador presidente iraniano acrescentou que o Irã talvez seja o único país dotado com todas as fases da tecnologia nuclear, desde a exploração da pedra de urânio até a produção da energia nuclear.

"Talvez sejamos o único país que tem todas as fases desta tecnologia, desde o começo até o final, já que elaboramos todas as fases desde a exploração da pedra de urânio, a produção do bolo amarelo (óxido de urânio) e o enriquecimento", afirmou.

O líder iraniano disse também que o Irã tinha colocado a necessidade de conseguir o combustível nuclear para seu reator científico de Teerã.

"Não nos deram o combustível e nos puseram condições, apesar de os compradores sermos nós e, portanto, quem podia colocar condições", disse Ahmadinejad de forma sarcástica.

Ahmadinejad acrescentou que seu Governo encarregou em seguida a Organização da Energia Atômica do Irã (OEAI) de enriquecer o urânio até 20% para produzir este combustível.

"Os ocidentais nos disseram que o Irã não dispunha da tecnologia para fabricar as placas de combustível nuclear. Pois aqui está", afirmou.

O presidente disse que para os iranianos não existe a palavra "impossível".

"Dá no mesmo se os inimigos querem ou não; o Irã é nuclear e vai continuar sendo", afirmou.

O anúncio foi feito pelo diretor da OEAI, Ali Akbar Salehi, acrescentando que já foram feitos testes mecânicos das novas centrífugas "com sucesso".

"No ano passado (iraniano, que começa em 21 de março) iniciamos o enriquecimento de urânio a 5%, utilizando centrífugas da primeira geração", disse.

O também vice-presidente iraniano acrescentou que o Irã continuou com as tarefas para a melhora desta tecnologia e conseguiu aumentar até três vezes a capacidade de enriquecer o urânio na segunda geração de centrífugas.

"Logo após estas pesquisas conseguimos projetar a terceira geração de centrífugas, que têm uma capacidade de enriquecimento seis vezes maior que a primeira geração", disse.

O diretor da organização da Energia Atômica do Irã fez também um repasse das atividades nucleares iranianas nos anos passados.

O regime iraniano está em disputa com grande parte da comunidade internacional sobre seu controvertido programa nuclear iraniano ao rejeitar suspender sua atividade nuclear tal como pede a comunidade internacional.

Países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Israel acusam o regime iraniano de ocultar sob seu programa nuclear civil outro de natureza clandestina e ambições bélicas cuja meta seria adquirir armas atômicas, alegação que Teerã rejeita.

Desde fevereiro passado, Washington, apoiado por Londres, Paris e Berlim tentam pactuar novas sanções internacionais contra o Irã.

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