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11/04/2010 - 06h35

ElBaradei: "Não podemos esperar para ver uma explosão nuclear para reagir"

EFE
Paris, 11 abr (EFE).- O Prêmio Nobel egípcio e ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, apoia a cúpula sobre segurança nuclear de Washington porque "não podemos esperar para ver uma explosão nuclear em plena Manhattan ou Mumbai para reagir".

"Atualmente, a maior ameaça mundial é que um grupo extremista disponha algum dia de uma arma nuclear", alerta o Prêmio Nobel da Paz de 2005 em entrevista ao jornal francês "Le Journal du Dimanche ".

ElBaradei lembra que se sabe que "há material mal protegido em certas regiões do mundo, especialmente na antiga União Soviética" e, justamente por isso é partidário de tomar medidas o mais rápido possível.

O ex-responsável da AIEA se declara partidário da iniciativa "Global Zero" para a desnuclearização total, embora seja longo o caminho a ser percorrido antes de conseguir esse objetivo.

No entanto, propõe que ao mesmo tempo se pense sobre um "sistema alternativo de segurança" com o qual cada um se sinta seguro sem necessidade de se apoiar nas armas nucleares.

Sobre os casos de Irã e Coreia do Norte, os dois países que mantêm em suspense a comunidade internacional por causa de seus planos nucleares, ElBaradei aposta por "encontrar os meios para estabelecer um diálogo incondicional e fundado no respeito mútuo".

Aplicar novas sanções a esses países, acrescenta, "é uma solução para curto prazo" que não faz mais que aumentar tensões e reforçar os partidários da linha dura.

É preciso levar em conta também, segundo ElBaradei, que na maioria dos casos as sanções afetam a população civil e não os Governos.

Sobre a possibilidade que seu país, o Egito, possa ter algum dia armas nucleares como as que já tem seu vizinho Israel, El Baradei afirma que "a solução seria que Israel abandonasse seu arsenal".

Mas se a instabilidade continuar e se mantiver as guerras no Afeganistão, Iraque e Somália, considera que "todos os cenários são possíveis".

Estas questões serão abordadas na reunião sobre segurança nuclear da segunda-feira e terça-feira em Washington, na qual está previsto que participem representantes de 47 países, em sua maioria chefes de Estado ou de Governo.

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