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12/04/2010 - 20h43

China e EUA chegam a acordo sobre sanções contra Irã, anuncia Casa Branca

EFE
Macarena Vidal.

Washington, 12 abr (EFE).- Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da China, Hu Jintao, chegaram hoje a um acordo de cooperação sobre a resolução das Nações Unidas que determinará novas sanções contra o programa nuclear do Irã, em uma reunião bilateral realizada antes do início da Cúpula sobre Segurança Nuclear.

O diretor para Ásia do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Jeff Bader, assegurou que os dois líderes, que conversaram hoje durante uma hora e meia antes do início da reunião, concordaram em intensificar a pressão sobre o regime iraniano e que as duas delegações "colaborem sobre as sanções".

Segundo Bader, os dois presidentes focaram a reunião bilateral em encontrar terreno comum e deram instruções a suas delegações para que ao redigir a resolução deixem claro ao Irã as consequências que sofrerá se não cumprir a vontade da comunidade internacional.

O Governo chinês, destacou Bader, "está disposto a colaborar conosco".

No entanto, o porta-voz do Governo chinês, Ma Zhaoxu, se mostrou mais cauteloso e afirmou que, no encontro, Hu transmitiu a Obama a conveniência de continuar as negociações e o diálogo para resolver a crise iraniana.

"China e EUA compartilham o mesmo objetivo geral", disse Ma, que, no entanto, ressaltou que seu país "espera que as diferentes partes deem continuidade a seus esforços diplomáticos e busquem ativamente meios eficazes para resolver a questão do programa nuclear iraniano por meio do diálogo e da negociação".

Ao longo dos últimos meses, a China tinha se mostrado reticente à imposição de novas sanções ao Irã, mas finalmente aceitou participar das conversas em Nova York, o que foi interpretado como uma vitória diplomática dos EUA.

A Rússia, o outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU que tinha se mostrado contrário à perspectiva de novas sanções, se declarou na quinta-feira, por meio de seu presidente, Dmitri Medvedev, partidária de medidas "inteligentes", que induzam à mudança de comportamento iraniano, mas que não prejudiquem sua população.

Segundo o conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, o Governo americano espera "uma resolução nesta primavera (no hemisfério norte). Será uma questão de semanas".

Em um encontro que a Casa Branca descreveu como "positivo", os dois presidentes abordaram também a cotação do iuane, que os EUA consideram supervalorizado. Segundo Bader, Obama pressionou novamente a China para que permita uma alta do iuane.

A reunião entre os dois líderes, cuja relação bilateral Obama descreveu como a mais importante do mundo atualmente, marca o degelo entre os dois países após meses de tensões causadas pelo encontro do presidente americano com o líder espiritual tibetano, o dalai lama, entre outras questões.

O encontro entre os dois líderes incluiu também momentos de silêncio em homenagem aos mineradores mortos em acidentes nos últimos dias tanto na China quanto nos EUA, afirmou Bader.

Além de Hu, o presidente dos EUA se reuniu hoje com o da Ucrânia, Viktor Yanukovich; o da Armênia, Serzh Sargsian; e com o primeiro-ministro malaio, Mohammed Abdul Razak.

Em conversa com o rei Abdullah II da Jordânia, Obama destacou a necessidade de que israelenses e palestinos retomem as negociações de paz.

Após a reunião com Yanukovich, a Casa Branca informou que a Ucrânia decidiu renunciar no prazo de dois anos a seu urânio altamente enriquecido, - cerca de 90 quilos - suficiente para fabricar várias bombas nucleares.

Por meio do acordo, os EUA fornecerão a assistência técnica e financeira necessárias para a realização do projeto.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, o anúncio representa uma importante vitória para os EUA, que tentava "há dez anos" conseguir que a Ucrânia renunciasse ao material.

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