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12/04/2010 - 15h32

Instituições já definem diretrizes de 1º empréstimo conjunto à Grécia

EFE
Bruxelas, 12 abr (EFE).- A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) já trabalham nos detalhes da operação conjunta destinada a restabelecer as finanças da Grécia, na qual só resta injetar a exata contribuição correspondente ao FMI.

Técnicos das três instituições se reuniram hoje em Bruxelas para definir os elementos da operação junto com representantes do Governo grego, mas não divulgaram detalhes do encontro.

A principal dúvida é sobre a quantia e a taxa de juros dos empréstimos a serem fornecidos pelo Fundo, depois de a zona do euro estabelecer ontem as condições de seu primeiro pacote eventual de empréstimos, no valor de 30 bilhões de euros, a juros aproximados de 5%.

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia (UE), Olli Rehn, indicou ontem que os países da zona do euro forneceriam dois terços do volume total dos empréstimos necessários, enquanto o FMI seria responsável por um terço.

Fontes do Ministério das Finanças grego, por sua vez, informaram ontem à Agência Efe que a contribuição do Fundo ficaria um pouco abaixo desse terço, em torno de 10 bilhões de euros, com juros de 2,84%.

"O FMI tem seus próprios processos. O que se disse ontem corresponde apenas à zona do euro. Não podemos falar em nome do FMI, que tem de comunicar suas próprias decisões", explicou hoje um porta-voz da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), que é a encarregada de coordenar os empréstimos à Grécia.

O porta-voz também lembrou que, embora o FMI tenha capacidade para impor uma taxa de juros diferente da comunitária sobre sua parte dos empréstimos, a Grécia não poderá optar por recorrer primeiro a esta quantia, mais barata.

Segundo ele, o mecanismo de ajuda "zona do euro-FMI" é "apenas um" mecanismo, e seria ativado de maneira conjunta, de modo que tais proporções sejam respeitadas.

De acordo com o estipulado, a operação de ajuda à Grécia só será iniciada caso a Grécia o solicite. Isso exigiria a aprovação unânime dos países da zona do euro após ouvirem as avaliações da Comissão Europeia e do BCE.

Para dar este sinal verde, não é necessária nenhuma cúpula entre os países da zona do euro, mas bastaria alguma reunião de ministros, de maneira "efetiva e barata" por videoconferência, ou inclusive em nível de embaixadores, segundo a Comunidade Europeia.

Todos os membros da zona do euro participariam do mecanismo. No entanto, fontes comunitárias não negaram hoje que existam países com problemas orçamentários onde há preocupações quanto à possibilidade de emprestar dinheiro à Grécia a taxas próximas às que eles mesmos se financiam.

Por esse motivo, o presidente da zona do euro, Jean-Claude Juncker, insistiu ontem que o preço do empréstimo da zona do euro será de qualquer maneira superior ao que aplicará o FMI, "a juros de mercado", e que "não conterá elementos de incentivo".

Os juros dos empréstimos bilaterais da zona do euro a taxas variáveis serão calculados baseados na Euribor (taxa básica de referência na zona do euro) de três meses, mais um novo agravo de 300 pontos básicos, ao qual serão acrescentados outros 100 pontos adicionais, caso os créditos sejam pactuados com vencimento superior aos três anos.

Além disso, a Grécia se encarregará dos custos operacionais, mediante uma taxa única de um máximo de 50 pontos básicos.

No total, se forem levadas em conta as condições de sexta-feira passada, a taxa de juros dos empréstimos rondaria 5%, segundo o comunicado publicado ontem.

A terceira tentativa da zona do euro de enviar um sinal de respaldo à Grécia que acalme os mercados e freie a escalada dos custos de financiamento do país foi bem-recebida hoje pelos mercados financeiros, onde o rendimento do bônus grego de dez anos caía esta tarde para 6,62%.

O mecanismo produziu um efeito positivo, a julgar pela evolução da moeda europeia, que também recuperava força frente ao dólar esta tarde, em torno de 0,8%, sendo cotada a US$ 1,36.

O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, fez comentários otimistas para a zona do euro, que qualificou de "positiva".

A reação positiva ao anúncio de ontem representa especial importância porque está previsto que Atenas anuncie amanhã uma emissão de dívida de até 11 bilhões de euros nos Estados Unidos.

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