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24/04/2010 - 19h37

FMI aconselha América Latina a não baixar guarda

EFE
Teresa Bouza.

Washington, 24 abr (EFE).- O Fundo Monetário Internacional disse hoje que a liquidez abundante e barata desfrutada pela América Latina acarreta riscos como a possível formação de bolhas e recomendou à região que não baixe a guarda.

"A experiência demonstra que o financiamento exterior barato e abundante aumenta o risco de um ciclo de altos e baixos", explicou hoje o responsável do FMI para a região, Nicolás Eyzaguirre.

Entre as nações que deverão aumentar a cautela está Brasil, que deve crescer 5,5% este ano e que terá que lidar "com as dificuldades associadas ao sucesso".

"Além dos altos preços das matérias-primas e a elevada liquidez, o Brasil descobriu petróleo", apontou Eyzaguirre, que acrescentou que as perspectivas econômicas futuras do país são "muito boas".

"O Brasil terá que lidar com as dificuldades associadas ao sucesso", afirmou o diretor do FMI, que sustentou que o país deveria considerar iniciar medidas como a apreciação cambial, uma política fiscal neutra e a implementação de regulações prudentes.

"Esses riscos se materializarem ou não depende da forma crítica das políticas implementadas", ressaltou o ex-ministro das Finanças chileno.

Nesse contexto, qualificou como "muito importante" permitir "uma flexibilidade cambial significativa", assim como uma disciplina fiscal e políticas macroeconômicas prudentes.

"Quando essas políticas não pareçam suficientes, os impostos cuidadosamente desenhados sobre os fluxos de capital podem ir por terra na hora de complementar a gama de políticas", acrescentou.

Eyzaguirre lembrou que o processo de recuperação em andamento na economia global propiciou de novo um financiamento acessível em nível global, assim como preços elevados das matérias-primas.

Mencionou que para os países com fundamentos econômicos robustos há muito financiamento a baixo custo, ao mesmo tempo em que se observa um aumento dos fluxos rumo aos mercados emergentes.

O representante do FMI disse esperar, além disso, que o previsível forte crescimento das economias asiáticas mantenha os preços das matérias-primas altos, o que beneficiará muitos países latino-americanos.

Indicou que, em geral, os desafios para os países da região variam em função de se são ou não exportadores de matérias-primas.

No grupo dos países exportadores mais integrados com os mercados financeiros globais considerou "especialmente importante" reduzir ou inclusive reverter as medidas de estímulo fiscal iniciadas durante a crise.

Para o resto de exportadores de matérias-primas será importante, na opinião de Eyzaguirre, aumentar a credibilidade de suas políticas macroeconômicas e dar início a políticas que favoreçam o crescimento.

"Alguns deles poderiam beneficiar-se de uma relação mais regular com o FMI, já que isso poderia facilitar seu acesso aos mercados financeiros", assegurou.

A Venezuela e a Argentina são dois países que não colaboram de forma habitual com o Fundo, que publica periodicamente um relatório com os resultados da revisão das economias de seus membros, conhecido como Artigo IV.

O Comitê Monetário e Financeiro Internacional, o principal do FMI, já que representa todos os países-membros, pediu hoje a estes que cumpram com sua obrigação de submeter sua economia à revisão da entidade.

É a primeira vez que o órgão faz uma chamada desse tipo.

No que se refere aos países importadores, aconselhou que aqueles que se viram negativamente afetados pela queda da receita turística desenhem programas econômicos destinados a reduzir o impacto sobre os mais pobres, dado sua pouca margem de manobra no terreno fiscal.

O FMI prevê que a região da América Latina e do Caribe tenha um crescimento econômico conjunto de 4% este ano e a mesma percentagem no seguinte graças ao forte puxão no Cone Sul, embora a Venezuela e os países caribenhos fiquem na retaguarda.

A participação de Eyzaguirre aconteceu durante a assembleia semestral conjunta do FMI e do Banco Mundial (BM) realizada neste fim de semana em Washington.

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