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25/04/2010 - 17h12

Grécia lança mensagem de calma aos mercados em meio a rachas na UE

EFE
Teresa Bouza.

Washington, 25 abr (EFE).- O ministro das Finanças grego, Yorgos Papaconstantinou, lançou hoje uma mensagem de calma aos mercados em meio a rachas no seio da União Europeia (UE), ao assegurar que seu país fechará "a tempo" um acordo para pagar sua dívida.

"Seremos capazes de financiar nossa dívida sem absolutamente nenhum problema", disse o ministro em entrevista coletiva. Ele ressaltou que as negociações para um programa de ajuda com a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) terminarão "a tempo".

Evitou precisar uma data concreta, embora tenha afirmado que o prazo de princípios de maio que lhe parece razoável. "O mecanismo de apoio estará pronto em maio", previu.

A Grécia tem que pagar 8,5 bilhões de euros em juros de sua dívida no dia 19 de maio, por isso precisa de dinheiro a curto prazo.

Seus comentários durante a Assembleia semestral conjunta do FMI e do Banco Mundial (BM) chegam depois que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, afirmou hoje que o fato de nem a UE nem a Alemanha terem tomado uma decisão implica que a resposta "pode ser tanto positiva como negativa".

A ministra francesa de Economia e Finanças, Christine Lagarde, afirmou, por sua vez, que a ajuda que se negocia para a Grécia não será paga integralmente de forma imediata e advertiu que se colocará um "freio" ao processo se houver uma moratória.

Já Papaconstantinou manifestou "plena confiança" de que uma vez que os detalhes finais e as condições do pacote de ajuda estejam prontos "todos os membros europeus" o apoiarão.

"O programa que estamos decidindo conjuntamente com a União Europeia e o FMI estará pronto e o anunciaremos assim que seja aprovado", ressaltou Papaconstantinu durante a entrevista coletiva mais movimentada da assembleia dos organismos multilaterais neste fim de semana.

O ministro disse que seu Governo já começou a implementar um plano de estabilidade a três anos, que procura reduzir um déficit fiscal que alcançou os 13,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, assim como iniciar um programa de privatizações e abordar a reforma do sistema de pensões.

A União Europeia deve desembolsar 30 bilhões de euros este ano para manter à Grécia flutuando e o FMI deve contribuir com um valor entre dez e 15 bilhões de euros adicionais.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, assegurou hoje que as negociações sobre um programa de ajuda à Grécia terminarão a tempo para que o país cumpra com suas obrigações financeiras.

O ministro grego insistiu, por sua vez, que "a soma tem que ser suficiente" para infundir confiança aos mercados sobre a viabilidade da economia do país.

Advertiu ainda que os investidores que apostem que o país suspenderá os pagamentos de sua dívida "perderão até a camisa". "Qualquer noção de reestruturação está fora de consideração para o Governo grego", assegurou.

Os observadores consideram que atrás da atitude do Governo alemão se ocultam motivos políticos devido às eleições do dia 9 de maio no estado da Renânia do Norte-Vestfália, o mais povoado do país.

O pacote de resgate à Grécia é muito impopular entre a opinião pública alemã, que critica que o país mediterrâneo tenha conseguido empréstimos da Alemanha durante anos a taxas de juros baseadas em números errôneos.

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