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26/04/2010 - 23h12

Reforma financeira dos EUA é freada, mas democratas não desistem

EFE
Washington, 26 abr (EFE).- A reforma financeira sofreu hoje um primeiro revés no Senado dos Estados Unidos, já que não houve o número de votos necessários para que o debate fosse iniciado, mas os democratas tentarão fazer o projeto avançar em nova votação nesta terça-feira.

Na primeira grande prova de fogo sobre a medida, foram 57 votos contra e 41 a favor e, por isso, o debate não pôde ser iniciado, já que os democratas precisavam de 60 votos para frear as táticas de obstrução.

No final, dos 41 republicanos na Câmara, 39 votaram contra e dois se abstiveram.

O senador democrata Ben Nelson votou contra a medida e o próprio líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, mudou seu voto de "sim" para "não" como parte de uma estratégia.

Reid teve essa postura porque, vendo a batalha perdida em um primeiro momento, preferiu se concentrar em continuar impulsionando um acordo bipartidário sobre a reforma.

"O senador Reid não tinha outra opção. Sob os regulamentos do Senado, se ele votasse a favor da moção nesse cenário de votos, o projeto de lei morreria totalmente e ele não poderia submetê-la a outra votação", explicou o porta-voz de Reid, José Parra, à agência Efe.

Reid deixou claro que continuará negociando com os republicanos e tentará, durante a semana, conseguir mais votos para que a medida seja debatida no plenário da Câmara.

A legislação que sair do Senado terá de ser combinada à aprovada em dezembro passado pela Câmara de Representantes para votação definitiva pelo Congresso, provavelmente em meados deste ano.

Em comunicado, o presidente americano Barack Obama disse estar "profundamente decepcionado" pelo bloqueio ao debate sobre a reforma de Wall Street feito pelos republicanos.

"Alguns dos senadores talvez pensem que a obstrução é uma boa estratégia política, e outros poderiam ver essa demora como uma oportunidade para realizar o debate a portas fechadas, onde os negociadores do setor financeiro possam diluir a reforma ou eliminá-la totalmente", advertiu Obama.

O presidente americano acrescentou que a reforma é necessária porque a falta de prestação de contas em Wall Street prejudica a economia, e insistiu ao Senado que "anteponha os interesses do país aos de seu partido".

Entre outras coisas, a proposta promovida pelos democratas estabelece um mecanismo para a liquidação "ordenada" de grandes empresas que representem um risco para a economia, exerce uma maior supervisão federal do mercado de derivados, cujo valor é calculado em US$ 450 trilhões, e cria uma agência de proteção dos consumidores.

A medida gerou discórdia no Congresso, já que os republicanos asseguram que só servirão para gerar mais resgates bancários.

A iniciativa aparece enquanto o Senado investiga as acusações de suposta fraude por parte do banco de investimento Goldman Sachs.

O líder da minoria republicana na Câmara, Mitch McConnell, disse que sua bancada apoia uma reforma que "aperte as porcas da Wall Street", mas não da forma "apressada" na qual os democratas querem alcançá-la.

Da mesma forma que quando se opuseram à reforma na saúde, os republicanos consideram que a proposta econômica também representará uma ingerência do Governo na economia.

A Casa Branca apoia a legislação porque, em sua opinião, ajudará a evitar outra crise financeira como a de 2008, que conduziu o país a uma profunda recessão, com milhões de execuções hipotecárias e perda de empregos.

Segundo uma enquete divulgada hoje pelo jornal "The Washington Post" e pela emissora "ABC News", ambos americanos, há um grande apoio popular à reforma financeira e isso estimula os democratas.

Pensando nas eleições legislativas de novembro, nenhum dos partidos quer demonstrar junto aos magnatas de Wall Street uma imagem de alienados.

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