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27/04/2010 - 15h56

Atenas pede acesso à ajuda financeira diante da asfixiante pressão do mercado

EFE
(atualiza com mais dados) Atenas, 27 abr (EFE).- A Grécia pediu hoje obter com urgência um pacote de ajuda internacional de 45 bilhões de euros diante da asfixiante pressão do mercado, agravada pelo rebaixamento do chamado "bônus lixo" da dívida estatal pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P).

Em meio às desconfianças do mercado grego e às dúvidas sobre a aprovação de assistência financeira da zona do euro, o bônus grego de dez anos aumentou hoje para 718 pontos básicos, com juros acima de 10%.

Já os bônus que vencem em dois anos tiveram uma alta ainda maior, a uma taxa de juros de 15,5%, em um indício de que os mercados não acreditam que Atenas possa cumprir suas obrigações a curto prazo.

O ministro das Finanças grego, Giorgos Papaconstantinou, pediu hoje com urgência a ativação dos empréstimos internacionais para honrar as dívidas do país. Segundo ele, 19 de maio será "uma data crítica para a Grécia, pois vencerá um bônus a dez anos de 9 bilhões de euros".

De acordo com o ministro, "as condições nos mercados atualmente são totalmente desalentadoras para se pedir crédito".

A Bolsa de Valores grega, e especialmente o setor bancário, foram duramente castigados nesta terça-feira. No pregão de hoje, a Bolsa registrou queda de 6%, a maior desde outubro, devido a sua exposição à crise por entesourar títulos de dívida.

Pouco depois do fechamento do pregão ateniense, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a qualificação da dívida grega ao nível do denominado "bônus lixo" (de "BBB+/A-2" para "BB+/B") devido às dúvidas sobre os planos de consolidação fiscal que pretende aplicar o Executivo.

"As opções do Governo estão se reduzindo devido ao enfraquecimento das perspectivas de crescimento econômico da Grécia", assinalou S&P, pouco depois que o Banco Central grego previsse uma contração econômica de 2% para este ano.

"A dinâmica desta crise de confiança colocou dúvidas, tanto sobre a capacidade administrativa do Governo para aplicar as reformas rapidamente, como de sua vontade política de abraçar um programa plurianual de austeridade fiscal", assegurou a agência.

O Governo grego negocia há uma semana com a União Europeia (UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) medidas adicionais de corte de gastos para 2011 e 2012, uma condição indispensável para obter o pacote de resgate.

Os empréstimos colocados à disposição pela zona do euro de 30 bilhões de euros se somariam aos 15 bilhões de euros do FMI, que velaria o cumprimento dos planos de ajuste.

A Alemanha, principal contribuinte da assistência financeira da zona do euro com 8,4 bilhões de euros, exigiu um programa de ajuste fiscal detalhado para permitir o acesso ao dinheiro.

Diante da delicada situação econômica e da pressão sobre o Governo para continuar cortando as despesas sociais, os sindicatos majoritários voltaram a convocar uma nova greve geral no próximo 5 de maio.

A Confederação de Trabalhadores da Grécia (GSEE), a União de Funcionários Civis (ADEDY) e a Frente de Trabalhadores filiados ao Partido Comunista (PAME), que representam 2 milhões de trabalhadores, convocaram uma greve em massa contra os severos planos de ajuste previstos.

Por sua vez, o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, reconheceu que a Grécia não se verá livre do controle financeiro exterior até que não se consiga "pôr ordem" e acabar com a corrupção e a evasão fiscal.

"Passamos juntos pelos momentos mais difíceis dos últimos anos, em circunstâncias nunca vistas não só para a Grécia, mas para a Europa e à economia mundial", declarou Papandreu diante de seus aliados parlamentares, que dominam 160 do total de 300 cadeiras do Parlamento grego.

De acordo com o premiê, o objetivo de seu Governo é "livrar a Grécia da supervisão dos que tomam decisões conosco". No entanto, segundo Papandreu, "(eles) não irão embora nem com pedras nem com nenhum tipo de violência, mas somente quando nós colocarmos ordem em nosso país e acabarmos com a corrupção e com a evasão fiscal".

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