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27/04/2010 - 11h21

Banco da Grécia diz que dívida crescerá até 130% do PIB em 2014

EFE

Atenas, 27 abr (EFE).- O Banco da Grécia advertiu hoje que a dívida pública do país seguirá crescendo dos atuais 115% do Produto Interno Bruto (PIB) até os 130% em 2014, data na qual o endividamento começará a se estabilizar.

Em um relatório emitido em Atenas, o banco emissor revisa também para baixo o crescimento econômico do país em 2010 e prevê que o PIB sofra uma contração de 2%, a mesma que em 2009.

Em geral, as previsões macroeconômicas do relatório, assinado pelo governador da instituição, Yorgos Provopulos, são pouco encorajadoras.

Coincidindo com a publicação deste documento, a Bolsa de Valores de Atenas caia 7,40% no meio do pregão de hoje.

Com relação à dívida, o principal fator de pressão à economia, o documento reconhece que apesar de outros países também terem altos números de déficit e dívida, essas nações "são capazes de financiar seus déficits, principalmente com a economia interna".

Pelo contrário, a taxa de economia da Grécia representa 5% do PIB, devido ao enorme déficit fiscal do país e ao "rápido crescimento do consumo interior nos últimos anos".

Para superar essa situação, o banco emissor aposta em uma reforma de todo o sistema produtivo, um aumento das exportações, a reforma do mercado de trabalho e "a redução da burocracia, a erradicação da corrupção e a modernização da Administração pública".

Em sua análise, o Banco aplaude a política de redução do gasto público e a decisão do Governo de solicitar a aplicação do mecanismo de resgate desenhado pela zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) por um total de 45 bilhões de euros.

Nesse sentido, a entidade emissora pede ainda mais esforço poupador.

"Para reverter definitivamente às tendências negativas, temos de superar a nós mesmos e surpreender os mercados", indica o relatório.

Para Provopulos, "será de vital importância para o ambiente econômico geral se a consolidação fiscal no capítulo de despesa avançar mais do que o planejado e se conseguir reduzir o déficit este ano em mais de 5%".

Por isso, o governador pede uma "maior determinação" e um "ritmo mais rápido" no objetivo de "restringir o desperdício de fundos públicos" e a eliminação de entidades do setor público que não são produtivos.

O Banco da Grécia não tem dúvidas ao assegurar que "cortar a despesa é, de qualquer forma, a opção mais conveniente para alcançar os ambiciosos objetivos nos próximos dois anos".

A estratégia do aumento dos impostos é, no entanto, desaconselhada pelas "adversas consequências que pode gerar na atividade econômica".

Assim, o Banco emissor se refere ao mecanismo de ajuda internacional como uma ferramenta para assegurar a aplicação dessas reformas internas, das que não só diz que são "absolutamente essenciais", mas "deveriam ter sido adotadas há muito tempo".

A entidade adverte que a existência desse guarda-chuva de ajuda externa não deve "sob nenhuma circunstância dirigir à complacência ou ao relaxamento dos esforços" de economia.

Assim, se assinala ao Estado grego como o plenário responsável de "convencer que a economia está comprometida com uma nova trajetória".

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