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27/04/2010 - 11h16

Premiê grego prevê controle exterior até que haja ordem no país

EFE
Adriana Flores Bórquez.

Atenas, 27 abr (EFE).- O primeiro-ministro grego, Yorgos Papandreu, advertiu hoje que seu país não se verá livre do controle financeiro exterior até que não se consiga "pôr ordem" e acabar com a corrupção e a evasão fiscal.

"Passamos juntos pelos momentos mais difíceis dos últimos anos, em circunstâncias nunca vistas não só para a Grécia, mas para a Europa e à economia mundial", declarou Papandreu diante de seus aliados parlamentares, que dominam 160 do total de 300 cadeiras do Parlamento grego.

De acordo com o premiê, o objetivo de seu Governo é "livrar a Grécia da supervisão dos que tomam decisões conosco". No entanto, segundo Papandreu, "(eles) não irão embora nem com pedras nem com nenhum tipo de violência, mas somente quando nós colocarmos ordem em nosso país e acabarmos com a corrupção e com a evasão fiscal".

Papandreu se referia em suas declarações ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao Banco Central Europeu (BCE) e à Comissão Europeia (CE), entidades que submeteram a Grécia a um estrito controle financeiro para que o país cumpra as condições exigidas aos empréstimos internacionais disponibilizados.

Segundo uma pesquisa do instituto GPO publicada hoje, 73% dos gregos se opõem à presença do FMI em Atenas.

Papandreu solicitou na sexta-feira passada a ativação do mecanismo de ajuda da zona do euro e do FMI, que preveem créditos que totalizam 45 bilhões de euros, perante o risco de falta de pagamento de sua dívida.

O custo da dívida grega atingiu hoje um recorde dos últimos 12 anos. O diferencial do bônus grego a dez anos em relação ao "Bund" alemão ficou em 687 pontos básicos, com juros em torno de 10%.

"É hora da mudança e de virar a página na história do país", disse Papandreu.

Diante do elevado custo do pagamento da dívida e da reticência da Alemanha em aprovar os empréstimos, vários analistas alertaram hoje que a situação pode se agravar rapidamente. Para eles, pode chegar a ser necessário declarar moratória ou renegociar a dívida pública.

No entanto, o ministro das Finanças grego, Yorgos Papaconstantinu, descartou tais opções, mas admitiu que o tempo é curto. Por isso, ele pediu hoje a ativação dos empréstimos internacionais para honrar as dívidas do país.

Dia 19 de maio será "uma data crítica para a Grécia, pois vencerá um bônus a dez anos de 9 bilhões de euros".

Segundo ele, "as condições nos mercados atualmente são totalmente desalentadoras para se pedir crédito".

O Banco da Grécia advertia hoje que a dívida pública do país continuará crescendo dos atuais 115% do PIB até chegar a 130% em 2014, data na qual o endividamento começará a se estabilizar.

Em um relatório emitido hoje em Atenas, o banco revisa também para baixo o crescimento econômico do país em 2010 e prevê que a recessão seja de 2%, o mesmo número que em 2009.

O relatório, apresentado hoje aos acionistas pelo diretor do banco, Yorgos Provopulos, previu que o desemprego em 2010 chegará a 11%, acima do nível do ano passado, que foi de 9,5%.

Enquanto isso, os sindicatos de trabalhadores continuavam hoje com seus protestos contra o pacote de austeridade adotado pelo Governo, que previu cortes salariais e aumento de impostos.

As greves trabalhistas e as manifestações tinham paralisado o transporte público na capital desde o meio-dia.

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