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28/04/2010 - 17h14

Fed reconhece melhora dos EUA, mas mantém juros perto de zero

EFE
Teresa Bouza.

Washington, 28 abr (EFE).- O Federal Reserve (Fed, banco central) renovou hoje a promessa de manter a taxa básica de juros em níveis próximos a zero durante um "período extenso", mas reconheceu que a economia dos Estados Unidos ganha força e que o mercado de trabalho dá sinais de melhora.

"A informação recebida desde a reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve em março sugere que a atividade econômica continuou se fortalecendo e que o mercado de trabalho está começando a melhorar", disse o BC americano em comunicado divulgado ao fim de dois dias de reuniões.

A autoridade monetária explicou, de todo modo, que o setor imobiliário segue em baixa e que os empréstimos bancários tiveram contração.

O Fed antecipou que a recuperação será "moderada" e que acontecerá em um contexto de "estabilidade de preços". Prevê, ao mesmo tempo, que a inflação seguirá baixa por "algum tempo".

"As condições econômicas, incluindo as baixas taxas de utilização de recursos, as tendências de inflação contida e expectativas inflacionárias estáveis garantam níveis excepcionalmente baixos das taxas de juros federais por um período extenso de tempo", diz o texto.

O presidente do Fed no Kansas, Thomas Hoenig, discordou pela terceira vez consecutiva da decisão de manter a política monetária sem mudanças, ao dizer que isso pode levar a "futuros desequilíbrios".

A economia americana saiu da pior recessão das últimas sete décadas com mais força que o esperado.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 5,6% no último trimestre de 2009 e espera-se um aumento de 3,4% nos três primeiros meses do ano.

O Fed espera que o PIB aumente 3,1% no conjunto do ano. Mesmo assim, o mercado de trabalho segue fragilizado e o índice de desemprego, a 9,7%, está em níveis historicamente altos.

A reunião do banco central dos EUA foi realizada, além disso, entre uma crescente preocupação com o déficit nacional.

Nesse sentido, o presidente do Fed, Ben Bernanke, insistiu ontem sobre a necessidade de cortar o déficit federal e assinalou que, se isso não for feito, a economia americana sofrerá.

"O caminho que temos pela frente inclui muitas concessões e eleições difíceis", afirmou Bernanke, que advertiu que adiar essas decisões e não conseguir que as finanças do país tenham um ritmo sustentável teria um custo elevado.

À preocupação com o elevado déficit americano se soma o nervosismo gerado pela crise na Grécia e a possibilidade de que a situação contagie outros países desenvolvidos demasiadamente endividados.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou hoje o rating da dívida espanhola de AA+ para AA, com perspectiva negativa, ao considerar que o país poderia sofrer um "período adicional de crescimento frágil".

O rebaixamento acontece um dia depois de a mesma Standard & Poor's também diminuir a nota portuguesa e colocar a grega em BB+, o primeiro patamar na categoria especulativa.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse hoje, no avião Air Force One, que a crise da dívida grega e seu possível contágio a outros países europeus despertam "grande preocupação" nele.

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