UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

01/05/2010 - 17h58

Grécia fecha acordo com FMI e UE sobre plano econômico

EFE
Atenas, 1º mai (EFE).- O Governo da Grécia fechou o acordo sobre seu plano de austeridade econômica com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para assim obter a ajuda financeira necessária para evitar a quebra do país, informou hoje o canal estatal grego "NET".

Fontes ligadas ao Governo grego consultadas pela Efe se limitaram a dizer que os negociadores gregos estão analisando os aspectos legais do texto.

Os encarregados dessa tarefa são o ministro da Defesa, Evangelos Venizelos, especialista em direito constitucional; o ministro das Finanças, Giorgos Papaconstantinou; e Jaris Pamboukis, homem de confiança do primeiro-ministro, Giorgos Papandreou.

O plano de austeridade será apresentado este domingo em um Conselho de Ministros extraordinário às 9h30 locais (3h30 de Brasília) e divulgado à imprensa logo depois por Papaconstatinou.

Atenas negociava há quase duas semanas um programa de consolidação fiscal trienal com o FMI, a UE e o Banco Central Europeu (BCE), uma condição prévia para ter acesso aos fundos internacionais de até 135 bilhões de euros que poderão salvar o país da quebra.

Para reduzir seu déficit, que em 2009 chegou a 13,6% do Produto Interno Bruto (PIB), para 3,6% em 2013, o Governo grego se comprometeu a fazer cortes nos salários dos funcionários públicos, deter as contratações públicas e congelar os salários no setor privado durante três anos.

Além disso, as pensões também diminuirão. As de mais de 600 euros mensais passarão de 14 pagamentos anuais para 12, segundo a imprensa grega.

Os impostos sobre álcool, tabaco e gasolina terão alta de 10% e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) aumentará dois pontos percentuais, até 23%, na segunda elevação deste tributo em 2010.

O Ministério das Finanças grego calcula que as medidas trarão uma economia de 11,9 bilhões de euros aos cofres públicos, parte dos 28,8 bilhões de euros - mais de 10% do PIB - necessários para cumprir as metas de redução do déficit.

A apresentação das medidas neste domingo ocorreria horas antes da reunião extraordinária dos 16 ministros de Finanças da zona do euro para analisar o plano de ajuste e a eventual ativação da ajuda financeira internacional prometida em troca.

Esta é a primeira vez nos 11 anos de história da moeda única europeia em que um dos membros da zona precisa ser socorrido por sua incapacidade de refinanciar sua dívida nos mercados internacionais.

Conhecedores das implicações do plano de austeridade, cujo cumprimento será supervisionado pelo FMI, ao redor de 20 mil manifestantes atenderam hoje à convocação dos principais sindicatos gregos em Atenas para mostrar sua rejeição às medidas durante o Dia do Trabalhador.

"Tememos que (o plano) trará uma explosão social, a recessão e uma estagnação da economia", disse à Agência Efe Ilias Iliopoulos, secretário-geral do Adedy, o maior sindicato de funcionários públicos.

Os sindicatos aproveitaram o 1º de Maio como um ensaio para a greve geral da próxima quarta-feira.

Apesar do caráter pacífico da maioria dos protestos, a Polícia usou gás lacrimogêneo em Atenas e Salônica contra pequenos grupos radicais que destruíram vitrines e atacaram policiais com pedras e coquetéis molotov.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host