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02/05/2010 - 17h41

Grécia protagoniza primeiro resgate financeiro da história do euro

EFE
María Gómez Silva.

Bruxelas, 2 mai (EFE).- Os países da zona do euro decidiram hoje pelo primeiro resgate financeiro de um de seus membros, a Grécia, ao aprovar um pacote de empréstimos de até 110 bilhões de euros entre 2010 e 2012, com o qual o Fundo Monetário internacional (FMI) contribuirá com 30 bilhões de euros.

O pacote veio em sinal de apoio ao severo plano de austeridade econômica anunciado horas antes pelo Governo grego, que prevê a economia de 30 bilhões de euros - 11% do Produto Interno Bruto (PIB) do país -, com o objetivo de reduzir o déficit público abaixo de 3% em 2014 e, assim, evitar a quebra do país.

A decisão foi adotada por unanimidade após a avaliação de um relatório no qual o Executivo da União Europeia (UE) e o Banco Central Europeu (BCE) asseguravam que "a concessão de um empréstimo era necessária para garantir a estabilidade financeira da zona do euro".

O programa estabelece que os primeiros 30 bilhões de euros serão liberados neste ano e que os desembolsos iniciais "estarão prontos antes que a Grécia tenha que fazer frente às obrigações de pagamento do dia 19 de maio", que chegam perto de 8,5 bilhões de euros.

O plano também inclui uma "reserva de estabilidade" de dez bilhões de euros para o setor financeiro, caso as dúvidas sobre a solvência da Grécia se estendam aos bancos do país.

"Pensamos que estas quantias são suficientes", disse o presidente do Eurogrupo (grupo de ministros de Finanças da zona do euro) e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, quando questionado sobre a possibilidade de a ajuda ficar pequena diante da gravidade da situação na Grécia.

A Comissão Europeia (órgão executivo da UE) ficará encarregada de fazer a entrega dos fundos à Grécia e de vigiar o cumprimento do programa de ajuste grego.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse hoje que as autoridades gregas devem estar preparadas para tomar "medidas adicionais" caso necessário para alcançar os objetivos do programa, que foi negociado com a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), e que será votado amanhã no Parlamento grego.

"Demonstramos nossa determinação de fazer o que for necessário", respondeu o ministro das Finanças grego, Giorgos Papaconstantinou, ao lembrou que o programa do país inclui cortes em pensões e reduções salariais na máquina pública.

As "duras condições" impostas sobre os empréstimos da zona do euro à Grécia, assim como seus detalhes, serão divulgados em um memorando de entendimento que as autoridades gregas e a Comissão Europeia aprovarão "nos próximos dias".

Além disso, os chefes de Estado e do Governo da zona do euro farão uma reunião de cúpula extraordinária no próximo dia 7 em Bruxelas para realizar um acompanhamento dos processos parlamentares que vários países devem completar antes de dar sinal verde aos empréstimos à Grécia.

Os líderes aproveitarão a ocasião para debater novas regras para aumentar a coordenação das políticas econômicas na zona do euro após a operação de ajuda financeira à Grécia lançada hoje.

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