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05/05/2010 - 10h19

Moody's revisa classificação do bônus português para possível rebaixamento

EFE
Londres, 5 mai (EFE).- A agência Moody's Investors Service anunciou hoje que está revisando a classificação Aa2 dos bônus do Estado português com vistas a um possível rebaixamento, embora reafirmou a classificação Prime-1 para curto prazo.

Em comunicado, a agência de classificação de risco afirmou que "diante de um eventual rebaixamento, a classificação Aa2 de Portugal cairia um, ou quando muito, dois níveis".

A revisão da classificação de Portugal, cuja perspectiva econômica está no nível "negativo" desde outubro de 2009, concluirá em três meses, indicou a agência.

Moody's explicou em sua nota que esta decisão responde "a recente deterioração das finanças públicas de Portugal e das perspectivas de crescimento do país a longo prazo".

"A revisão para uma possível rebaixamento tomará em consideração uma revisão das classificações de Portugal que reflitam a deterioração potencialmente durável dos números sobre a dívida do Estado", manifestou Anthony Thomas, vice-presidente Moody's para qualificações a Estados.

Segundo Thomas, "no contexto de uma economia pequena e de pouco crescimento, estes dados sobre dívida poderiam deixar de ser consistentes como uma qualificação Aa2".

Para a agência, a deterioração das contas públicas portuguesas é o reflexo do fracasso de sucessivos Governos na hora de limitar com seriedade os déficits orçamentários desde que Portugal entrou para a zona do euro, como membro fundador.

"Recentemente o Governo reiterou seu objetivo de conseguir e inclusive superar os objetivos de redução do déficit publicados no último Programa de Estabilidade e Crescimento", disse Thomas, quem acrescentou que "o perfil de dívida bem estruturado significa que os riscos de refinanciamento são pequenos".

Moody's acredita que os custos financeiros da dívida portuguesa podem aumentar durante algum tempo, mas espera que o serviço da dívida continue acessível a curto e médio prazo.

Moody's se referiu às comparações entre a situação na Grécia e em Portugal, e assinalou que "embora a Grécia enfrente dificuldades fiscais muito mais sérias que Portugal, (...) é previsível e inevitável um longo período de cortes para Portugal até que os desequilíbrios financeiros sejam corrigidos".

Em seu período de revisão, a agência levará em conta outras questões como as medidas para melhorar a competitividade econômica do país e a capacidade de economia, "que estão na raiz da tendência de um crescimento econômico lento".

A agência, que prevê uma lenta recuperação do PIB, insistiu que "os problemas de crescimento de Portugal têm mais a ver com sua baixa produtividade do que com os altos custos".

Além disso, explicou Thomas, "a falta de uma opção de desvalorização (da divisa) gera um vento contra da recuperação".

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