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06/05/2010 - 13h01

Resgate das caixas-pretas do avião da Air France é incerto

EFE
Paris, 6 mai (EFE).- O Ministério da Defesa francês ressaltou hoje a incerteza sobre a possibilidade de recuperar as caixas-pretas do avião da Air France que caiu no Atlântico quando voava do Rio de Janeiro para Paris, que "provavelmente" se encontram em uma área de uma centena de quilômetros quadrados.

"Estamos longe de ter a certeza" de que podemos trazer para a superfície as caixas-pretas, advertiu o general francês Christian Baptiste, porta-voz adjunto do Ministério em entrevista coletiva sobre o acidente do voo AF 447 de 1º de junho do ano passado, no qual morreram os 228 ocupantes.

Baptiste justificou as dúvidas explicando que a região em que podem estar as caixas-pretas é formada por uma superfície similar à cidade de Paris (um raio de cinco quilômetros), mas com uma cordilheira tão acidentada como os Andes no fundo do mar, e as caixas-pretas têm o tamanho de uma caixa de sapatos.

Indicou que talvez seja possível localizar peças de maior tamanho do Airbus A330, - que caiu no mar por causas até agora desconhecidas -, e as caixas-pretas estejam acopladas a essas peças.

O general reconheceu que não pode oferecer garantias que este é de fato o local onde estão as caixas-pretas, mas que "provavelmente" os sinais registrados pelo submarino nuclear francês "Nemrod" em 1º de julho tenham partido delas.

A informação só pode ser cogitada agora por meio de um novo algoritmo informático utilizado na semana passada que permitiu essa interpretação.

Concretamente, foram os analistas da empresa Thales, a fabricante dos sonares do submarino que tinham captado os sinais, os que primeiro conseguiram diferenciá-los dos registros e dizer que partiam das caixas-pretas, uma hipótese que depois foi confirmada pelos especialistas da Marinha francesa.

Baptiste lembrou que teoricamente as caixas-pretas deixaram de emitir sinais entre meados de julho e início de agosto, e disse que não poder avançar até onde poderiam avançar na exploração desse caso, porque não se sabe se será possível trazê-las a superfície.

O Exército francês não tem intenção de enviar meios próprios para tentar localizar o lugar exato no qual estão as caixas-pretas e extraí-las. Conforme o Exército, o organismo francês responsável pelo Escritório de Investigação de Acidentes (BEA), que já conta com os dispositivos adequados.

O BEA, que se encontra na terceira fase de buscas, que devem ir até o dia 25, realizou nos últimos dias varreduras na área de 60 quilômetros onde o 'Emeraude' captou as supostas sinais das caixas-pretas do avião acidentado.

O órgão anunciou hoje que a partir desta sexta-feira vai estender a ação de seu navio à zona definida com as novas descobertas da Marinha e também que tornará público um novo balanço da situação na próxima segunda-feira em Paris.

A Air France tinha indicado que as informações da Marinha francesa sobre a localização da zona na qual estariam as caixas-pretas tinha que ser verificada e validada pelas equipes do BEA para orientar a nova rodada de buscas.

"Se confirmadas, são uma excelente notícia porque constituirão um elemento determinante no processo de buscas e no estabelecimento da verdade", indicou a companhia aérea.

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