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12/05/2010 - 12h18

Atenas recebe dinheiro do FMI e sindicatos convocam outra greve geral

EFE
Atenas, 12 mai (EFE).- O Governo grego obteve hoje a primeira contribuição efetiva - 5.574,8 bilhões de euros do FMI - do plano de ajuda para sanear sua economia, enquanto os sindicatos convocaram para a próxima quinta-feira a segunda greve geral deste mês.

O dinheiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi depositado em uma conta especial do Banco da Grécia, segundo confirmaram à Agência Efe fontes bancárias.

A soma de hoje é parte dos 20 bilhões de euros que o Executivo grego solicitou na terça-feira oficialmente à Comissão Europeia, como um primeiro lance da ajuda que os países do grupo do Euro e do FMI prometeram a Atenas.

Após a contribuição do FMI, espera-se que nos próximos dias Atenas receba outros 14,5 bilhões de euros procedentes do grupo do Euro.

No total, o plano destinado a salvar a Grécia da quebra é composto por 110 bilhões de euros, 80 bilhões dos quais procedentes dos membros da moeda europeia e 30 bilhões de euros do FMI.

Ao mesmo tempo, hoje se soube que a economia grega igualou no primeiro trimestre a contração de 0,8% dos últimos três meses de 2009.

Em termos anuais o PIB grego cai 2,3%, embora o teor dos números do Executivo deva ter uma contração em 2010 de 4% nos próximos meses e se prevê uma maior deterioração da economia.

Por sua vez, os sindicatos majoritários gregos convocaram hoje uma nova greve geral de 24 horas para o dia 20 de maio, em protesto contra a reforma do sistema da previdência proposta pelo Executivo.

A reforma pretende que a idade média de aposentadoria suba dos atuais 61,4 para 63,5 anos e quer reduzir a pensão média em 7% até 2030 um novo cálculo dos pagamentos.

A greve da próxima semana será a quinta paralisação geral neste ano e as autoridades estão em alerta máximo depois que três pessoas morreram e outras 70 ficaram feridas nas manifestações do dia 5 de maio.

Enquanto isso os sindicatos seguem em uma queda-de-braço com o Governo, com uma nova manifestação às 18h local (15h GMT) no centro de Atenas sob o lema "Não roubei. Portanto não ao pagamento", em protesto contra os cortes em salários, pensões e os aumentos de impostos.

As medidas severas para cortar o gasto público em 30 bilhões de euros até 2012 são exigidas em troca da ajuda financeira no próximo triênio, quando espera-se que a Grécia consiga reduzir seu déficit público a menos de 3% do PIB.

Além disso, o Executivo do primeiro-ministro socialista, Giorgos Papandreou, anunciou nas últimas 24 horas medidas para combater a corrupção entre políticos e empresários, com propostas que castigarão a evasão de impostos.

As autoridades gregas impuseram hoje uma multa de 40 milhões de euros a um empresário cipriota pela compra de 130 edifícios nos últimos cinco anos em diversas cidades gregas sem ter pago os impostos de 3% do valor.

Por outro lado, segundo informam hoje os meios de comunicação, o Ministério das Finanças prepara o fechamento de 60 casas noturnas por um mês em Atenas e em Salônica devido a evasão de impostos superiores a 150 milhões euros. Elas serão fechadas por seis meses caso voltem a incorrer em delitos.

Segundo dados oficiais, três de cada quatro casas noturnas declaram entradas anuais de menos de 15 mil euros, número à altura do salário de um funcionário público.

A campanha contra a evasão de impostos também incluiu multas a 131 médicos do bairro residencial ateniense de Kolonaki, que não cumpriram com a disposição de dar faturas por seus serviços e declararam ingressos inferiores aos 10 mil euros ao ano.

Além disso, o ministro da Justiça, Jaris Kastanídis, anunciou na terça-feira que o controle da renda dos deputados será feito por uma comissão judicial sem a participação dos próprios parlamentares como era até agora.

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