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12/05/2010 - 18h49

Venezuela firma associação com consórcios de Repsol e Chevron

EFE
Caracas, 12 mai (EFE).- A Venezuela formalizou hoje duas associações petrolíferas com consórcios internacionais, liderados pela espanhola Repsol e a americana Chevron, num negócio com investimentos de US$ 40 bilhões e que visa extrair até 800 mil barris de petróleo por dia na rica Faixa do Orinoco.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, liderou o ato de assinatura dos convênios, que darão lugar às empresas mistas Petrocarabobo e Petroindependencia. As duas operarão os blocos Carabobo I e Carabobo III, respectivamente, da região, localizada no leste do país.

A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) terá 60% do controle acionário de ambas as empresas mistas, enquanto os consórcios estrangeiros serão liderados, em Petrocarabobo pela Repsol (11%), e em Petroindependencia pela Chevron (34%).

Os acordos assinados nesta quarta-feira incluíram o compromisso de pagamento à Venezuela pelos grupos internacionais de "bônus de entrada", estimados em US$ 1,5 bilhão, e um financiamento à PDVSA de US$ 2,05 bilhões.

Do montante, US$ 2,05 bilhões correspondem ao consórcio liderado pela Repsol (US$ 1 bilhão como bônus de entrada e US$ 1,05 bilhão como financiamento a PDVSA) e US$ 1,5 bilhão ao liderado pela Chevron (US$ 500 milhões como bônus de entrada e US$ 1 bilhão como compromisso de financiamento).

Está previsto que cada empresa mista alcance uma produção de até 400 mil barris diários de petróleo pesado e extrapesado, e que a chamada fase de "produção adiantada" comece no final de 2012 com um bombeamento de 50 mil barris ao dia.

Cada projeto inclui, além disso, a construção de uma refinaria para melhorar o petróleo cru de até 40 graus API disponíveis nos blocos Carabobo I e Carabobo III, que começaria a operar em 2016.

Chávez agradeceu pela "confiança" dos consórcios estrangeiros em seu Governo "revolucionário" e mostrou otimismo de que essas associações serão bem-sucedidas e favorecerão não só o povo venezuelano, mas também os países das empresas envolvidas.

O líder venezuelano também destacou que os projetos petroleiros, com licença de operação de até 40 anos, gerarão "milhares de empregos" na Venezuela e arrecadarão bilhões de dólares, futuramente destinados ao desenvolvimento social do país.

Já o presidente da Repsol, Antonio Brufau, destacou, em breve discurso após a assinatura dos acordos, o "desafio tecnológico" que significa para a empresa participar do projeto de exploração de petróleo pesado e extrapesado na Faixa de Orinoco.

"Trabalharemos para que não se arrependam de terem confiado em nosso consórcio", acrescentou Brufau.

Questionado sobre a possibilidade de problemas de segurança legal em relação aos investimentos estrangeiros na Venezuela, Brufau disse que ninguém obrigou a empresa a participar do projeto. "Estamos aqui voluntariamente, e a Venezuela sempre cumpriu (o que prometeu)", afirmou.

A Repsol informou que sua participação no projeto Carabobo permitirá que acrescente 268 milhões de barris de reservas líquidas nos próximos dez anos, com um investimento líquido de US$ 750 milhões só entre 2010 e 2014.

"O projeto poderia alcançar uma produção máxima de 400 mil barris de petróleo por dia durante 40 anos", precisou a Repsol em comunicado.

A Venezuela, quinto maior exportador de petróleo do mundo, se associou com cerca de 20 países para explorar a rica Faixa do Orinoco, uma área de 55 mil quilômetros quadrados com reservas calculadas em pelo menos 234 bilhões de barris de petróleos pesados e extrapesados, as maiores do planeta.

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