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19/05/2010 - 15h17

Irã defende acordo nuclear com Brasil e duvida de novas sanções

EFE
Dushanbe, 19 mai (EFE).- O ministro de Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, reafirmou hoje o compromisso de seu país com o acordo para a troca de urânio estabelecido com Brasil e Turquia e duvidou que o Conselho de Segurança da ONU aprove mais sanções ao Irã.

"O acordo para a troca de urânio, apoiado por Brasil e Turquia, funcionará", assegurou Mottaki em declarações à imprensa em Dushanbe (capital do Tadjiquistão), onde participa de uma reunião ministerial da Organização da Conferência Islâmica.

Segundo esse acordo, que Teerã deve enviar nesta semana à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã enviará à Turquia urânio pouco enriquecido em troca de receber no prazo de um ano o combustível enriquecido a 20%, nível suficiente para fins pacíficos, mas não bélicos.

Portanto, Mottaki se mostrou convencido de que o Conselho de Segurança da ONU não aprovará a resolução com novas sanções ao Irã, já pactuada dentro do chamado grupo 5+1, formado pelos cinco membros permanentes do órgão - Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China - mais a Alemanha.

"Não há nenhuma chance de a nova resolução ser aprovada. Não devemos levá-la a sério", indicou o ministro iraniano. Segundo ele, esse pacote de sanções "chega tarde demais" e seria rejeitado pelos membros rotativos do Conselho de Segurança.

Segundo Mottaki, o amplo apoio internacional que recebeu o acordo obtido com Brasil e Turquia mostra "vontade política e desejo de avançar" na via diplomática do problema iraniano.

Nessa situação, os EUA não terão alternativa além de buscar possibilidades para adiar a aprovação da nova resolução, que amplia as sanções internacionais ao regime de Teerã por seu programa nuclear, acusado pelas potências ocidentais de ter fins bélico.

Mottaki minimizou a importância do fato de que Moscou tenha apoiado o texto da nova resolução, ao ressaltar que a Rússia, com o beneplácito da AIEA, ajuda o Irã a construir sua primeira usina nuclear, Bushehr, às margens do Golfo Pérsico.

"Dirigentes russos do mais alto escalão nos confirmaram que a usina de Bushehr entrará em funcionamento no prazo previsto (julho)", indicou.

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