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24/05/2010 - 13h05

FMI pede à Espanha reformas econômicas "urgentes e decisivas"

EFE
Washington, 24 mai (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu hoje à Espanha que adote medidas econômicas "urgentes e decisivas", entre estas uma reforma "radical" do mercado de trabalho, consolidação fiscal e a reestruturação do sistema bancário.

Essas são as conclusões iniciais de uma equipe de analistas do organismo ao fim de uma visita à Espanha como parte da revisão anual que a entidade faz da economia do país.

O organismo pede uma reforma "ambiciosa", incluindo a redução das indenizações por demissões e a mudança do sistema de negociação dos salários nos convênios coletivos para dar maior flexibilidade às empresas.

Como parte da redefinição de sua economia após o afundamento do modelo baseado na construção, a Espanha deve reduzir o tamanho de seu setor financeiro, mas o processo até agora foi "lento demais", constatou a entidade.

De acordo com os analistas do FMI, o ponto mais frágil são as caixas públicas espanholas, e nesse sentido propõem uma reforma profunda do marco legal, que por suas restrições às fusões e o fechamento do setor a investidores externos, "colocam em perigo os fundos públicos", acrescentaram.

O FMI quer que se conceda às caixas públicas espanholas a oportunidade de transformar seu capital social em ações, algo que deveria ser obrigatório para as grandes entidades.

Propôs ainda diminuir a influência política e aumentar sua capacidade para captar capital externo. Essas mudanças tornariam às caixas espanholas similares aos bancos privados, ao eliminar dificuldades as suas operações.

"Esta reforma deveria ser aplicada rapidamente para que as caixas possam dispor de todas as opções para captar capital o mais rápido possível", segundo o fundo.

Sobre a redução do déficit público, o organismo se manifestou de acordo com os objetivos do Governo espanhol, mas alertou que as metas estarão em risco se ao fim não forem aplicadas as medidas necessárias para realizá-las ou se a economia não se recuperar na velocidade que Madri espera.

Também aconselhou um controle mais restrito das finanças das comunidades autônomas, pois são as que realizam a maior parte do gasto público, e sugeriu a criação de um conselho fiscal independente para analisar as contas.

Além disso, o FMI pediu uma reforma "audaz" do sistema de previdência, com a aplicação de medidas como vincular a idade de aposentadoria à expectativa de vida.

Os analistas do Fundo consideraram que a recuperação da economia espanhola será "fraca e frágil", e que seu crescimento subirá de forma progressiva até médio prazo, entre 1,5% e 2%, percentuais inferiores aos previstos antes da crise.

O FMI insistiu que para melhorar essas perspectivas a Espanha deve adotar sem demora as reformas estruturais que expôs hoje em seu comunicado.

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