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26/05/2010 - 07h40

Europa é a última da fila na recuperação prevista pela OCDE

EFE
Paris, 26 mai (EFE).- A Europa está no fim da fila da recuperação econômica prevista pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), levada pela desconfiança sobre suas finanças públicas e porque não aproveita, como os Estados Unidos e o Japão, a força dos países emergentes.

Em seu relatório semestral de perspectivas, a OCDE adverte hoje que os riscos sobre a recuperação global são agora maiores que em novembro, devido à magnitude dos fluxos de capitais nos mercados emergentes e à instabilidade dos mercados de dívida.

Pelo levantamento da OCDE, a Europa sofreu um retrocesso de seu Produto Interno Bruto (PIB) de 3,3% em 2009, para 2,7% neste ano.

Em 2011 a previsão será de 2,8% (três décimos a mais), em um contexto de expansão mundial de 4,75% durante este ano e o próximo.

As razões da alta são o restabelecimento do comércio internacional e o impulso das grandes economias emergentes, em particular as asiáticas, das quais têm se beneficiado principalmente os Estados Unidos e o Japão, e a Europa em menor medida.

Isso indica que a zona do euro só deve registrar alta de 1,2% no PIB em 2010 e de 1,8% em 2011, abaixo da previsão anterior.

A situação da dívida e os planos de ajuste fiscal têm também influência.

Na Grécia, a OCDE esperava em novembro uma queda de seu PIB de 0,7% em 2010 e um avanço de 1,6% em 2011. Após o ajuste, o PIB recuará 3,7% neste ano e 2,5% no próximo.

Na Espanha, o relatório não acredita que o corte da despesa apresentado no início de mês represente um severo impacto neste ano, e calcula que o PIB será de 0,2% neste ano (em novembro a estimativa era de - 0,3%).

O impacto chegará em 2011 e se traduzirá em um aumento do PIB de 0,9%, o mesmo número do relatório precedente.

Os Estados Unidos oferecem a melhor perspectiva da OCDE, já que é esperada uma expansão de seu PIB de 3,2% tanto neste ano quanto no próximo (para 2010, sete décimos a mais que em novembro e para 2011 quatro mais).

Japão crescerá 3% neste ano (1,2 pontos mais do o previsto em novembro) e 2% em 2011, após o retrocesso de 5,3% em 2009.

A OCDE adverte que "estas perspectivas moderadamente encorajadoras" poderiam ser afetadas por riscos "significativos": a dívida, em particular em alguns países europeus, e o reaquecimento de alguns mercados emergentes, em particular China e Índia.

No relatório, o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, considera que a crise da dívida colocou em evidência que a zona do euro tem de "reforçar significativamente sua arquitetura institucional e operacional para dissipar dúvidas sobre a viabilidade no longo prazo da união monetária".

Padoan insiste em que o fato de ter sido necessário um dispositivo de resgate do euro "é uma prova de que o período de instabilidade iniciado em agosto de 2007 ainda não terminou".

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