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26/05/2010 - 12h12

Fed pede independência de bancos centrais frente a crises

EFE
Jairo Mejía.

Tóquio, 26 mai (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, defendeu hoje, em Tóquio, a independência dos bancos centrais e pediu mecanismos que esclareçam qual deve ser seu papel em futuros resgates a entidades financeiras.

O chefe do banco central americano participou hoje, junto ao presidente do Banco do Japão (BOJ), Masaaki Shirakawa, da abertura de um ciclo de conferências em Tóquio sobre o futuro das entidades na economia global, que, em sua opinião, vivem o "desafio mais profundo desde a Grande Depressão".

Bernanke centrou seu discurso na necessidade de as entidades emissoras se desvincularem da visão em curto prazo dos políticos, para garantir a estabilidade financeira.

"As interferências políticas em assuntos monetários podem gerar indesejados ciclos de bolhas e levar a uma economia menos estável e a uma maior inflação", afirmou.

Bernanke deu como exemplo o Banco Central Europeu (BCE), "que ajudou a manter as expectativas de inflação na zona do euro firmemente ancoradas", e lembrou que a tarefa do Fed é garantir a estabilidade de preços e o emprego sustentável.

Além disso, Bernanke apoiou o trabalho do Congresso dos Estados Unidos para fechar a aprovação da maior reforma financeira no país desde a Grande Depressão, que determinará "como o Governo evitará o colapso de grandes instituições financeiras e o caos" no setor.

A crise econômica, iniciada com os problemas associados às "hipotecas lixo" em 2008, obrigou o Tesouro dos EUA e o Fed a socorrerem instituições financeiras, como no caso da maior seguradora do mundo, a AIG.

O banco central americano também teve que fornecer fundos de emergência de bilhões de dólares a instituições como o Citigroup ou o Goldman Sachs, o que elevou as críticas sobre o uso de dinheiro público em ajuda a instituições financeiras.

"Quando essas regras forem estabelecidas, qualquer que seja o papel do Fed, ele será delineado pelo Congresso e esperamos não voltar a nos envolver nesse tipo de atividades", disse Bernanke, em referência aos resgates que teve que realizar entre 2008 e 2009.

Além disso, o Senado dos EUA aprovou no início do mês a realização de uma auditoria para determinar como serão utilizados os fundos de emergência para ajudar entidades financeiras em perigo durante a crise, o que poderia chamar a atenção para operações polêmicas, como a ajuda ao Goldman Sachs.

Bernanke lembrou que essas atividades representaram empréstimos no curto prazo ao sistema financeiro para satisfazer necessidades de liquidez com a intenção de acalmar o pânico, e assegurou que um banco central deve ser transparente e responder à opinião pública.

Em seu discurso, Shirakawa concordou com a necessidade de independência transmitida por Bernanke e considerou que a iniciativa governamental de tomar medidas extraordinárias em tempos de crise pode colocar as instituições monetárias "em uma situação difícil".

O Japão foi um dos países que mais realizou medidas desse tipo durante a crise, devido ao fato de que taxas de juros de 0,1% não permitem novos estímulos, enquanto o Governo japonês pressionou contra o risco de deflação e a favor do crescimento.

Por sua parte, Bernanke disse que uma indevida influência do Governo nessas medidas pode ter grandes custos e equivaleria a "dar ao Executivo a possibilidade de pedir a monetarização de sua dívida, algo que deve ser evitado a todo custo".

No entanto, admitiu que "as reformas financeiras reduzem a possibilidade de uma crise futura" e disse que os bancos centrais são "uma força de estabilização extremamente valiosa, que deve ser contemplada apenas em raras circunstâncias".

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